sábado, 18 de fevereiro de 2017

A escatologia da Harpa Cristã

Ainda presos à questão suscitada em nossa postagem anterior, na qual abordei a premissa sustentada por certo pastor ao assegurara que “a escatologia não muda” desejo trazer ao lume outra demonstração de como a Doutrina das Últimas Coisas tem evoluído e se aperfeiçoado ao longo dos anos. Uma observação hei de fazer, porém, a saber: que ao mencionar a “evolução da escatologia”, estou a destacar apenas que a verdadeira evolução não ocorreu no campo dessa disciplina teológica, senão na maneira como a estudamos e compreendemos.
       
     Uma prova clara e irretorquível de que a escatologia muda e que pode ser “melhorada”, nós a temos nos dados que ora apontarei. Vamos então iniciar esse estudo indagando do leitor se ele sabe de fato o que cremos, nós que professamos o modelo de fé e esperança adotadas pelos membros das Assembléias de Deus. Mas eu a isso me refiro quanto à forma e à ocasião da segunda vinda de Cristo. Ora, como é do conhecimento de todos, no que se refere ao arrebatamento da igreja, tem se admitido os assembleianos adotam a opção pré-tribulacionista, ou seja, a explicação comumente aceita de que o Senhor Jesus virá como um ladrão na noite com o intuito de nos arrebatar secretamente antes do aparecimento do anticristo e da eclosão da grande tribulação.

      Explicação aceita sem relutâncias, mas que na verdade não reflete o original sentimento de nossa denominação quando de sua fundação e desenvolvimento. Isso porque, na época em que foi deflagrado o grande reavivamento espiritual da Rua Azusa, e a despeito da prevalecente expansão do Dispensacionalismo difundido por John Darby e seus companheiros, as idéias que os cristãos tinham acerca da forma e da ocasião da chamada segunda vinda de Cristo ainda não estavam perfeitamente delineadas, o que na opinião de alguns, não deixa de ser uma escandalosa deficiência, principalmente se considerarmos que naquela época o cristianismo já contava com quase 1900 anos de fundação.
As deficiências expressas na compreensão que aqueles nobres irmãos tinham acerca da forma e da ocasião do retorno de Cristo para buscar a sua igreja andam estão ainda são patentes e continuam ecoando na liturgia e nossas reuniões, principalmente através da composição de não poucos cânticos congregacionais que (graças a Deus) foram preservados na Harpa Cristã, que é o hinário oficial adotado não apenas nas Assembléias de Deus, mas também em outras denominações evangélicas.

       Em diversos e muito bem reconhecidos hinos dessa harpa Cristã, é comum percebermos como os santos de outras décadas fizeram confusão no tocante aos elementos que envolvem as “duas fases” da segunda vinda de Cristo, e respeito delas falavam como se na verdade o Senhor houvesse de vir uma vez apenas. Vejam por exemplo o que diz o compositor do hino de número 70:
“Nós aleluia daremos a Cristo, quando o virmos nas nuvens voltar, de esplendor e de glória vestido, Seus escolhidos vai arrebatar”.

       Atentem agora para o que diz as três estrofes do hino 74. Aqui transcreveremos a primeira delas apenas:
“Talvez Cristo venha ao romper da aurora, com santos arcanjos e com voz sonora; os mortos porá dos sepulcros pra fora; Jesus breve vem nos buscar”.

Já o hino 191 diz assim na última estrofe:
“Jesus do Céu há de voltar, em majestade e glória, então seus anjos irão cantar o hino da vitória. Jesus enfim vai suplantar o anticristo, e reinar, Jesus, Jesus, ó vem me arrebatar!”
Para finalizarmos, vamos observar a letra inicial do hino 442:
“Breve no Céu, Jesus há de aparecer em gloriosa luz; todos o hão de ver. Naquele dia, então, eu hei de receber de Cristo galardão; Oh! Que prazer!”


     Por aí podemos notar que aquelas gerações de cristãos, cuja sinceridade e fé devemos imitar, não possuíam claras noções acerca da escatologia que na atualidade havemos acatado. O que é uma pena, pois alguns destes sacros compositores partiram para estar com o Senhor há menos de quarenta anos, de modo que, se ocorreu alguma revolução no pensamento e no sentimento assembleiano em relação à nossa escatológica esperança, temo que isso só pode ter se dado em um tempo relativamente recente. O que não deixa de ser um avanço nesse sentido. Gostaria que acontecesse o mesmo em relação à errônea concepção que os nossos monitores têm sustentado no tocante às Bodas do Cordeiro. Mas isso deve ser assunto para outra oportunidade.

Donald Trump é o anticristo?

Existem postagens que a gente publica e depois se arrepende, mais em função do tempo que se encarrega de provar o quanto é possível estarmos enganados. A presente dissertação é um exemplo disso; eu a escrevi há cerca de dois meses e tenho estado relutante quanto à sua publicação por receios de que possa estar cometendo algum tipo de injustiça. Outros há que se aventuraram a fazer o mesmo, e hoje com resignação entendem que a eloqüência do silêncio podia ter sido a melhor das opções.
       Fato é que desde o início dos anos 70, tem-se dito e escrito que o palco está sendo preparado para que o anticristo seja apresentado ao mundo. Durante esse período de tempo tão curto não foram poucos os indivíduos que apareceram para assumir o posto daquele que aterrorizará o mundo em suas horas finais, e, apesar disso, temos notado como a opinião das massas vai mudando ao passo em que novos candidatos vão surgindo. Bush, Clinton, Obama, João Paulo II, Bento XVI, Papa Francisco e até Sadan Hussein já foram apontados como prováveis anticristos, porém, a obsessão do momento tem se concentrado em Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos, e, convenhamos, esse polêmico mandatário dos norte-americanos para se esforça para atrair todos os predicados a si. Trump tem exagerado no estereotipo, e assim fazendo com que os mais atentos descubram nele alguns traços que correspondem em muito com as descrições que a Bíblia faz a respeito daquele que há de ser o Homem do Pecado e Filho da perdição, a famigerada Besta do apocalipse.
       Todas as atenções estão voltadas para ele; até as criancinhas inocentes estão temendo que Trump venha se tornar o monstro que provocará a Terceira e definitiva Guerra Mundial. Os “caçadores de anticristos” também estão eufóricos e certos de que finalmente encontraram o homem que há de virar o mundo de ponta-cabeça. Paulo, nosso apóstolo dos gentios por excelência, nos falou acerca da aparição do anticristo e disse que o espírito que o rege já está no mundo, mas que também existe algo ou “alguém” que impede a sua manifestação, até que seja tirado do caminho.
       Teólogos da atualidade acreditam que Paulo estava se referindo ao Espírito santo quando afirmou que existe “um que ainda o detém”, todavia, os primeiros pais da igreja interpretaram estas palavras de Paulo como sendo alusivas ao Império Romano, pois entendiam , à luz da perspectiva comum de Daniel e Apocalipse, que o anticristo deve aparecer primeiramente segundo a imagem de uma pessoa inexpressiva e que aos poucos se tornará tão proeminente (aliás, é esse o significado da palavra “Trump”) que eliminará os três principais sustentáculos do reino que estará dominando o mundo de então. Os mais afeiçoados à Teoria da Conspiração já se anteciparam em atestar que Trump, o chifre pequeno da profecia, já abateu aos três chifres maiores, a saber: Clinton, Hillary, e o próprio Obama.
       Eu não estou tão seguro quanto às posições assumidas por ambas as gerações de interpretadores da Bíblia. Talvez as duas escolas estejam parcialmente corretas, mas pode ser também que as estejam igualmente equivocadas. A interpretação que enxerga no Espírito santo um obstáculo ao aparecimento do anticristo quer que acreditemos que ele só se manifestará ao mundo depois do arrebatamento secreto da igreja, conquanto (acreditam eles) é o ministério do Espírito santo através da igreja que impede a aparição da Besta. Particularmente tenho considerado essa interpretação deveras presunçosa, porque na sua presente condição, o cristianismo está mais para aliado do que para adversário do anticristo, mas por outro lado, devo admitir que Deus não depende daquilo que creio ou deixo de crer. Em relação ao ponto de vista segundo o qual o Império Romano deve ser o verdadeiro obstáculo à manifestação da Besta, apesar de muitíssimo interessante, tem lá os seus percalços.
        Mas preciso me ocupar primeiramente com aquilo que há de favorável a esta interpretação, porque embora as pessoas entendam diferente, a verdade é que o Império Romano  jamais deixou de existir, e tão certo quanto a Bíblia declara que esse reino de opressões estaria reinando no mundo na ocasião da vinda de Cristo em gloria e majestade, assim também é certo que ele continua a exercer a sua opressão sobre as nações, principalmente por meio de seu principal instrumento, os Estados Unidos da América!
       O Império de Roma, sob o qual Cristo foi crucificado e sob cuja fúria foram perseguidos e martirizados incontáveis milhares de cristãos, nunca expirou, apenas se camuflou e migrou para o continente assim chamado de o Novo Mundo, e dali permanece a exercer a opressão sobre as nações.
Não será surpresa para ninguém se o anticristo surgir dos Estados Unidos da América. É bem certo que muitas dentre as famílias mais importantes da Roma Antiga ainda existam e que conservam puras as suas raízes genealógicas. Pois bem, o profeta Daniel assegura que a Besta do Apocalipse há de nascer do Império de Roma. Estas seletas famílias, todas elas detentoras do verdadeiro poder que oprimiu a Europa durante mais de dois mil anos, vieram para a terra à qual chamaram de América do Norte e a colonizaram com intenção de torná-la em um nova Europa, de onde também fomentaram a criação da etérea, porém, real a mal-afamada Nova Ordem Mundial. São estas as famílias que controlam as mais importantes empresas dos Estados Unidos e todas elas estão operantes em todo o mundo. A bolsa de valores, os bancos, as falsamente chamadas de “estatais”, as mídias, as agências de saúde, os institutos de educação, as redes de entretenimento em todos os seus segmentos, tais e tais... Não vamos ficar aqui a enxugar gelo, porque você também já está saturado de ouvir coisas desse tipo. O que pretendo com isso dizer é que se o anticristo viesse agora o mundo já estaria praticamente pronto para recebê-lo, mas principalmente se ele vier da América do Norte.
       Antes de ocorrerem as eleições para a presidência norte-americana, eu já havia comentado que Trump sairia vencedor. Minha ilação era absurda até para mim mesmo, mas eu a fiz por estar apegado à impressão de que havia “algo” por trás da cena a preparar as coisas de modo que ele saísse vencedor da disputa pela presidência. E como eu podia estar certo disso? – Eu simplesmente não estava certo de coisa alguma; apenas presumi que Hillary Clinton seria a peça ideal para competir com Trump e ser por ele “engolida”. Eu assim presumia porque me dava à ilação de que nas eleições norte-americanas praticamente não existem surpresas, mas que se havia alguma, esta seria, certamente, a doce ilusão de que uma mulher surgiria para ser indicada como a mais forte adversária à proposta política de Donald Trump. Eu realmente não acreditava numa vitória de Hillary, pois é do conhecimento de alguns especialistas que não é do interesse de “certas pessoas” que uma mulher seja eleita presidente da nação mais poderosa do mundo. Assim, pude tão somente supor que a escalada de Trump estava sendo programada pelos seus próprios “adversários’. A questão então seria: Com que propósito?
       Não muito depois, fiquei sabendo de rumores segundo os quais a Europa e outras partes do mundo estavam eufóricas com o anúncio da vitória de Trump. O que se falou de imediato foi que o novo presidente dos Estados Unidos enfim criará mecanismos capazes de sanar as sangrias econômicas que estão a provocar anemias por toda parte. O mesmo Trump afirmou diversas vezes que conhece as vias da cura e que com alguns telefonemas seus, médicos se prontificarão em auxiliá-lo nesse grande projeto de restauração que beneficiará o mundo inteiro.
       Devido ao meu compromisso religioso, não me é permitido insinuar que esse ou aquele cidadão do mundo é ou há de ser o anticristo, pois a Bíblia a isso chama de leviandade, e esse é um sentimento que não deve ser cultivado por um cristão. Por outro lado, eu faço uso do direito que tenho de julgar e de acreditar no que as evidências me apontam, mas até isso pode resultar em uma atitude desnecessária. O melhor é me concentrar nas minhas obrigações como cristão e convidar outros a se deliciarem com a fé e com a esperança de que quando o anticristo se manifestar, nós já não estaremos aqui.

       Quanto ao tempo, ele ainda há de demonstrar se estamos enganados ou não. O certo é que mesmo que Trump não venha a ser o anticristo, tragédias são esperadas em todo o mundo durante o seu mandato. E se ele de fato for a Besta, há de ser assassinado em público; isso causará comoção geral, mas ele logo há de ser devolvido à vida e desde então os homens hão de ter o seu anticristo. Porém, alguma coisa me diz que o demônio está brincando com a nossa inteligência, e que Trump ainda não é o homem que se transformará na Besta do Apocalipse. Quem sabe se ele ao menos não dará o golpe final na economia mundial e que arrastará o planeta para um caos financeiro capaz de convencer a todos os líderes globais acerca da necessidade de um governo único? Esse governo único nunca existirá de fato, todavia, é desse mar de desconforto financeiro que surgira o anticristo. Os poucos cristãos sinceros que ainda existem devem se unir em oração e vigilância. Jesus Cristo não tarda vir!