sábado, 30 de abril de 2016

O Livro de Enoque Traduzido em Português



O LIVRO DE ENOQUE

I
1. As palavras das bênçãos com as quais Enoque abençoou os justos e escolhidos, os quais devem estar presentes (no mundo) no dia da tribulação, quando todos os homens perversos hão de ser castigados, e o os justos serão poupados.
2. Ele iniciou a sua parábola e disse: Enoque, um homem justo cujos olhos foram abertos por Deus e teve uma visão do Altíssimo desde os céus, a qual Ele me deu. Porque dos lábios dos santos anjos eu escutei todas estas coisas. Eu as ouvi e a tudo compreendi. Porém, não as falarei para os homens desta geração, senão àqueles de uma geração ainda por vir.
3. Assim, em relação aos escolhidos é que eu falo agora, e lanço a minha parábola a respeito deles: O Santo e Grandioso Deus virá desde a sua morada.
4. Porque o Eterno Deus aparecerá na terra e descerá sobre o Monte de Sinai. Sim, Ele virá com os seus exércitos; será visto com as suas poderosas hostes desde o céu dos céus.
5. Todos se derreterão de temor perante Ele e até os vigias estremecerão, porquanto grande temor e tremor lhes sobrevirão até aos confins da terra.
6.  As mais altas montanhas serão sacudidas e as colinas derreterão como a cera que se desfaz diante do fogo.
7. Toda a terra será revolvida e tudo que há nela perecerá, porquanto um julgamento virá sobre todos os seus habitantes.
8. Mas para os justos Ele trará a paz, e sobre os escolhidos trará proteção e misericórdia, pois são a sua propriedade particular, pelo que Deus lhes garantirá boa-ventura e abençoará a todos eles, dando-lhes a sua luz e fazendo paz com eles.
9. Eis que virá com milhares de seus anjos, para executar juízo sobre todos, e para destruir os ímpios, e para convencer toda a humanidade acerca das impiedades que tem cometido, e para castigar a tos pelas duras palavras que ímpios pecadores disseram contra Ele.


II
1. Observem todos os seus feitos e vejam as obras do céu, eis que os astros não saem da órbita natural, nascendo e se pondo regularmente a cada dia sem transgredirem as ordens que o Altíssimo lhes deu.
2. Atentem para a terra e para as obras que nela ocorrem desde o começo até a consumação e vejam como nela nada muda e que tudo está bastante patente perante os olhos de todos.
3. Atentem para os sinais do verão e do inverno. Vejam como no inverno a terra é coberta de água, vindo as nuvens de chuva sobre ela.


III
Notem como todas as árvores aparecem para murcharem logo em seguida, e como todas as suas folhas caem, exceto aquelas quatorze árvores que são capazes de manter a folhagem, e assim resistem por até dois ou três anos, até que venha a nova folhagem.

IV
E outra vez observem os dias do verão, quando o sol está em cima da terra, e como os homens buscam abrigo por causa do seu calor, pois são incapazes de andar sobre o pó da terra ou sobre a rocha, por causa do calor escaldante.

V
1. Por acaso algum de vós já atentou para as árvores, para ver como elas cobrem a se mesmas com verdes folhas e dão frutos. Assim também, vós, atentai e daí ouvidos para considerar todas estas coisas, a fim de que compreendais a razão pela qual o Eterno Deus fez tudo isso.
2. Todas as obras de Deus seguem assim, ano após ano para sempre, e todas as obras as quais Ele as faz para Si mesmo; elas não mudam jamais, em vez disso, cumprem a meta para a qual foram criadas.
3. Do mesmo modo, vejam como o mar e os rios agem, e como de modo algum se esquivam de cumprir os mandamentos que o Senhor lhes deu.
4. Quanto a vós, não tendes permanecidos firmes para agir em conformidade com os mandamentos de Deus. Em vez disso, vos desviastes de Deus e contra Ele levantastes a voz orgulhosamente. Oh, vós, homens de duro coração, vós não encontrareis paz!
5. Naqueles dias o vosso nome será como uma maldição eterna perante os justos; execração eterna sereis e na vossa maldição perecereis, vós e todos os pecadores que convosco perjuram. Mas para os justos haverá alegria, paz, tolerância e misericórdia. Sobre estes será a minha salvação e luz, pois herdarão a terra. Mas para os pecadores não haverá livramento, antes, maldição haverá em todas as suas habitações.
6. Sobre os meus escolhidos será a luz e o regozijo. Eles herdarão a terra. Aos ímpios, porém, a maldição eterna.
7. Sabedoria darei aos meus escolhidos e eleitos e eles viverão, e não voltarão a pecar eternamente, pois dele removerei a impiedade e o orgulho. Luz haverá sobre os meus iluminados, e sobre os sábios o entendimento, pelo que jamais voltarão a transgredir os meus mandamentos e não cometerão pecados de eternidade em eternidade.
8.  Seus dias de vida serão multiplicados em paz e os anos de sua alegria não terão fim. Em paz eterna e bondade eles viverão.

VI
1. Aconteceu que havendo os filhos dos homens se multiplicado sobre a terra, naqueles dias lhes nasceram filhas belas e formosas à vista.
2. Pelo que os anjos, os filhos do céu, as virão e cobiçaram-nas. E disseram uns para os outros: Venhamos juntos e escolhamos para nós esposas de entre as filhas dos homens e delas geremos descendência.
3. Porém, sendo Samiazah o seu principal líder, eis que ele lhes disse: Incomoda-me que estejais dispostos a consumar esse mal intento, pois sei que no final, apenas eu serei culpado e condenado por tão grande pecado.
4. Eles porém, responderam: Eis que faremos um juramento e sob maldição nos comprometeremos uns com os outros, assegurando que não nos removeremos desta decisão, mas cumpriremos tudo o que temos em mente.
5. Então se ajuntaram todos e conspiraram com mútuo juramento.
6. E eis que eram em número de duzentos, os quais nos dias de Jarede desceram sobre o cume do Monte Hermom. E eles mesmos deram este nome à montanha, porquanto ali fizeram um juramento e o selaram com uma maldição.
7. E estes são os nomes dos seus líderes: Samiazah, o primeiro dentre eles, Arakibah, Rameel, Kokabiel. Tamiel, Ramiel, Daniel, Ezekiel, Barakiah, Asael, Armaroth, Batarel, Ananel, Zakiel, Sansapeel, Satarel, Turel, Jonjael, Sariel e Jadiel.
8. Estes, pois, são os nomes dos seus líderes. Cada um deles era o principal de dez.


VII
1. Desde então eles tomaram para mulheres para si de entre todas aquelas que eles escolheram. Assim, coabitaram com elas, e lhes ensinaram vários sortilégios e encantamentos, bem como o uso das ervas tanto para fins medicinais como para a feitiçaria.
2. Depois disso, as mulheres engravidaram e deram a luz a gigantes.
3. E estes gigantes atingiram a estatura de trezentos côvados. Eles devoraram tudo o que era produzido no campo, e se tornou impossível alimentá-los.
4. Desde então eles se voltaram contra os seres humanos com a intenção de comerem as suas carnes.
5. No mais, eles atacavam todos os tipos de seres viventes, pássaros, bestas, répteis e peixes, e não estando satisfeitos em comerem-lhes a carne, eles ainda bebiam-lhes o sangue.
6. Por causa destas coisas, a terra levantou um clamor contra a impiedade deles.

VIII
1.  Então veio Azazel (ou Asael) e ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos e peitorais. Também lhe fez conhecer a ciência dos metais da terra, bem como a arte de trabalhar com esta matéria, de modo que eles aprenderam a fazer braceletes e jóias para as mulheres. Ele igualmente os ensinou a selecionar as melhores pedras preciosas e a produzir corantes de todos os tipos e cores.
2. O resultado disso foi o crescimento do pecado e da fornicação, pois os homens se tornaram corruptos em toda a maneira de viver.
3. Samiazah os ensinou a prática dos encantamentos e o uso das raízes mágicas. Armaroth os ensinou a lançar sortilégios. Barakiah ensinou a astrologia. Kokabiel também lhes deu conhecimentos sobre a leitura das estrelas do céu. Ezekiel lhes deu a conhecer os sinais do tempo nas nuvens. Arakibah lhes deu conhecimento sobre os sinais da terra. Sansapeel lhes ensinou a astronomia. Quanto a Sariel, ensinou os homens a leitura do curso solar.
4. Mas estando os homens sob diversas aflições, eis que eles clamaram, e o seu clamor foi ouvido nos céus.

IX
1.  E aconteceu que Miguel, Uriel, Rafael e Gabriel desceram desde o céu e viram quanto sangue estava sendo derramado sobre a terra, e como a iniqüidade havia se multiplicado entre os homens.
2. E eis que eles diziam entre si: Agora a terra devora os seus habitantes, e o seu clamor tem chegado ao portão do céu.
3. Agora, pois, ó Tu, que habitas os Céus, dá ouvidos à sua voz, porquanto gritam: Fazei justiça sobre nós, ó Altíssimo!
4. E acrescentaram: Tu és Deus sobre os deuses e Rei dos reis, e Senhor dos senhores. O trono de tua glória permanece para sempre. Teu Nome é santo e bendito eternamente!
5.  Tu criaste todas as coisas e sobre elas dominas. Não há nada que possa escapar da tua vista, pois a tudo vês e nada te pode ser oculto.
6. Eis que tens visto o que Azazel tem feito entre os homens, como têm prevalecido as injustiças que ele ensinou aos mortais, pois lhes tem revelado segredos que até então estavam encerrados entre os seres dos céus; coisas que os homens jamais deviam ter conhecido!
7. Até Samiazah, aquele que Tu escolheste para ser principal sobre muitos.
8. Ele mesmo tem ido após as filhas dos homens para se deitar com elas. Ele também se corrompeu, de modo a lhes ensinar a cometerem toda a sorte de pecados!
9. Agora estas mulheres estão dando a luz a gigantes, e desde então o mundo inteiro está sendo banhado de sangue em conseqüência da violência que eles praticam.
10. Por isso clamam as almas daqueles que foram mortos; elas pedem justiça diante do portão do céu. Assim sob o seu lamento e não pode cessar, pois é grande a impiedade que se pratica sobre a terra!
11. Mas Tu sabes de tudo o que entre os homens acontecem. Tu vês todas estas coisas e não as podes sofrer. Agora, pois, ó Altíssimo, dize-nos o que devemos fazer no tocante a estas coisas!

X
1. O altíssimo então falou, e enviou Uriel ao filho de Lameque, dizendo-lhe:
2. Vai a Noé e assim lhe falarás em Meu Nome: Retira-te! Depois lhe revelarás o julgamento que está prestes a vir, porquanto um dilúvio virá e toda a carne perecerá sobre a terra.
3. Vai, e ensina-lhe o que deve ser feito a fim de que sobreviva ele e a sua família sobre a terra e não desapareça a semente humana para sempre.
4. Depois disso, o Senhor falou a Rafael: Vai, acorrenta as mãos e os pés de Azazel e lança-o na escuridão. Então abrirás o poço do abismo que está em Dudael e ali o precipitarás.
5. Em seguida, cobre o abismo com um grande e pontiagudo rochedo e sobre ele espalha as trevas. E que ali permaneça por algum tempo, até que venha o juízo. Esconde-lhe a face para que sobre ele não haja luz.
6. E há de ser que no dia do grande julgamento ele irá às chamas eternas.
7. Depois vai e restaura a terra que foi contaminada pelos anjos. Anuncia a cura da terra a fim de que a sua chaga seja sarada e assim não desapareça a semente humana por causa dos segredos que lhes foram participados pelo vigias (anjos).
8. Porque em conseqüência do que foi ensinado por Azazel é que o juízo virá sobre os filhos dos homens, portanto, a ele mesmo será imputada a culpa desse pecado.
9. Em seguida, disse o Senhor a Gabriel: Dirige-te contra os bastardos, aos filhos dessa miscigenação, e abate toda a semente que os vigias geraram das filhas dos homens. Faze com que se voltem uns contra os outros para que se destruam em mútua matança, porquanto essa geração não deve permanecer sobre a terra.
10. Olha que não dês atenção às orações que os seus pais certamente hão de fazer em seu favor, pois desejam viver eternamente. Não lhes darás ouvidos, nem consentirás que vivam sequer quinhentos anos.
11. E voltando-se para Miguel, eis que lhe disse o Altíssimo: Vai, e anuncia perante Samiazah a soma de todos os seus pecados bem como a de seus comandados, os quais têm se misturado com a semente humana para se corromperem.
12. E será que quando vier a destruição sobre os seus filhos e eles virem perecer a sua semente, eis que os acorrentarás e os encerrarás nas partes mais baixas da terra durante setenta gerações, e ali estarão até ao dia do grande julgamento e da consumação do mundo.
13. Assim serão atormentados no abismo de fogo, o qual lhes será por prisão eterna.
14. E todos quantos forem juntamente condenados hão de arder nas mesmas chamas. Ali estarão igualmente acorrentados por muitas gerações. Mas depois que vier o grande julgamento, eis que os entregarei ao tormento eterno.
15. E que sejam destruídas todas as almas que se entregaram à luxúria, e também os descendentes dos vigias, porquanto fizeram violência à humanidade.
16. Aniquila toda a perversidade que existe sobre a terra, e que sejam desfeitas todas as obras de impiedade que foi praticada. Que seja semeada a semente da justiça, a fim de que o seu fruto seja de bênçãos e de felicidade eternamente.
17. Portanto, apenas os justos sobreviverão, a fim de que gerem milhares de filhos e assim tanto a sua juventude quanto a sua velhice hão de ser de paz.
18. Naqueles dias a retidão será cultivada na terra, tal como as árvores são plantadas nas ruas.
19. E todos os tipos de árvores aprazíveis serão plantados ali, e eis que vinhas serão plantadas e as suas uvas produzirão vinho em abundância. Cada semente que for ali plantada produzirá mil medidas, e cada medida de oliva produzirá dez prensas de óleo.
20. Assim terra há de ser purificada de toda a injustiça e impiedade que é praticada sobre ela.
21. Desde então, todos os filhos dos homens me servirão e me adorarão em honra e louvores.
22. Não existirá mais condenação ou sofrimento, pois nunca mais enviarei dilúvio sobre a terra.

XI
1. Em vez disso, abrirei as portas das câmaras secretas do Céu e farei descer a bênção sobre a terra para que frutifique o labor dos filhos dos homens.
2. A paz e a verdade andarão juntas por todos os dias da eternidade.

XII
1. Passadas estas coisas, Enoque desapareceu, e ninguém sabia o lugar do seu paradeiro nem o que lhe havia acontecido.
2.  Mas Enoque estava com os anjos de Deus.
3. E o Senhor de toda a majestade, o Rei da Eternidade havia abençoado a Enoque, e de tal maneira o Senhor o amou que vieram os anjos e lhe disseram:
4. Enoque, tu que és o escriba da verdade e da justiça, vai agora e declara perante os anjos do céu, aos que abandonaram o lugar da sua habitação para se corromperem com as mulheres, e que têm agido conforme agem os filhos da carne, tomando esposas para si: Eis que vós pecastes, e o vosso pecado trouxe grande destruição ao mundo.
5. Desde agora não haverá paz para vós, nem haverá perdão para o pecado que praticastes. Quanto aos filhos que nasceram dos vossos deleites,
6. Eis que vós mesmos sereis testemunhas da morte destes, e lamentareis quando virdes a destruição de vossos filhos, pelo que de nada vos valerá o vosso lamento, pois não obtereis misericórdia.

XIII
1. Então Enoque foi a Azazel e lhe disse: Eis que não haverá paz para ti, mas em vez disso, dura sentença foi pronunciada ao teu respeito.
2. Portanto, não te enchas de esperanças, pois o Senhor não terá complacência de ti, por causa de todas as obras de injustiças que tu tens semeado no mundo, bem como a iniqüidade e o pecado que tens ensinado aos filhos dos homens.
3. E aconteceu que declarando eu estas palavras aos ouvidos dos anjos, eis que eles temeram e estremeceram.
4. Em virtude disso, eles se aproximaram de mim e pediram para que eu intercedesse por eles dia e noite perante a presença de Deus, na esperança de que o Senhor os perdoasse por amor de mim.
5. Por destas coisas que eu lhes declarei, eles evitaram se dirigir ao Senhor e não ousavam sequer elevar os olhos ao céu, devido à vergonha da culpa pela qual estavam sendo condenados.
6. E eu escrevi suas petições e roguei em favor de seus espíritos e por seus feitos individuais e apresentei o seu requerimento diante de Deus a fim de que fossem aceitos.
7. Dirigi-me a terra de Dan, ao sul do oeste do Hermom. Ali eu li e fiquei a repetir a sua petição até que fui vencido pelo sono.
8. Nisso, me sobreveio um sonho e visões desceram sobre mim. Então escutei uma voz que me ordenava a não interceder pelos anjos, porquanto eles houvessem se tornado repreensíveis.
9. Ao me despertar daquele sono, fui procurar os anjos, e eis que os encontrei reunidos no mesmo lugar, em Abelsajael, que está entre o Líbano e Senir. E eis que eles escondiam o rosto.
10. E eu lhes contei acerca das visões que tive e por determinação do céu lhes repassei os seus pecados e anunciei-lhes a culpa. Foi desta maneira que eu repreendi àquelas sentinelas do céu.

XIV
1. Esse é o livro que contém os registros do juízo e da sentença que foi pronunciada contra as sentinelas celestiais de acordo com o mandamento que o Grande e Santo Deus me deu durante aquela visão.
2. Porque eu vi no meu sono tudo o que devo pronunciar com a minha língua de carne e com o sopro da minha boca, a fim de que o coração humano entenda tudo o que o Senhor Altíssimo me tem revelado.
3. Porque o Senhor criou o homem e lhe deu o poder de compreender as palavras da sabedoria, e do mesmo modo Ele dado a mim a autoridade para repreender as sentinelas, os filhos do céu.
4. Eu escrevi a petição tal como eles me pediram, mas na minha visão ficou esclarecido que enquanto durarem o céu e a terra não haverá perdão para os pecados que eles praticaram, mas em vez disso a condenação eterna.
5. E há de ser que quando isso vier acontecer, então estará vetada para sempre a vossa subida aos céus. Então sereis acorrentados e ficareis presos por todos os dias da eternidade.
6. Antes disso, porém, testemunhareis a destruição dos filhos que vós gerastes com as filhas dos homens; sim, os filhos nos quais está o vosso deleite. Eles serão mortos à espada diante dos vossos olhos.
7. De nada vos valerá lamentar e rogar por eles, porque o Senhor não vos dará ouvidos, nem perdoará os pecados que cometestes.
8. E a visão que a mim foi dada era assim: Eis que vi uma nuvem do meio da qual me chamava uma voz, apressando-me e me fazendo tomar o caminho das estrelas. Nessa visão, eis que havia umas asas que me elevavam até bem alto e me faziam chegar ao céu.
9. Assim, fui conduzido para diante de um muro construído de puro cristal e rodeado por torres que se assemelhava a línguas de fogo. E eis que eu estava completamente atemorizado.
10. Então passei por aquelas línguas de fogo e fiquei diante de uma grande mansão, toda construída em cristais. As paredes desta casa, bem como o seu piso eram feitos com blocos de cristais.
11. O seu teto era como o céu em uma noite estrelada, e eis que ali estavam querubins flamejantes, e todo o céu era como águas cristalinas.
12. Havia uma grande chama de fogo que envolvia as paredes. Os próprios portais da casa eram de fogo.
13. Eu entrei e vi que ali dentro era ao mesmo tempo frio como o gelo e quente como o fogo. Quanto a mim, não senti nenhum tipo de alegria; em vez disso, temores e espantos se apoderavam de mim.
14. E visto que estivesse tremendo sobremaneira, eis que desabei com o meu rosto em terra. Foi então que tive nova visão.
15. Vi uma segunda mansão, maior que a anterior. E as suas portas se abriram diante de mim. Ela era feita de um fogo ardente.
16. O esplendor da casa era o mais excelente em todos os seus aspectos. Tão magnífico que sou incapaz de descrevê-lo.
17. O chão da casa era de fogo e o céu acima dele tinha o brilho das estrelas. O teto também era semelhante ao fogo.
18. Como eu continuasse olhando, eis que vi um alto e sublime trono, e a sua aparência era como o cristal e as suas rodas brilhavam como o sol na sua grande força. E os querubins estavam ao seu lado.
19.  De debaixo do trono emanava algo como raios de fogo, e tão terrível era aquela visão que eu não pude continuar olhando, pois havia um ser glorioso sobre o trono.
20. Uma glória imensa se instalou ali, porquanto o manto que Ele estava usando era mais resplandecente do que o sol, e ao mesmo tempo mais alvo do que qualquer neve.
21. Nenhum dos anjos podia entrar ali, nem contemplar a sua face por causa da magnitude e da glória, e da mesma forma, nenhum ser humano era capaz de estar ali para contemplar aquela glória.
22.  A chama de fogo estava ao redor do trono e dele não se apartava. Milhares de milhares vieram e ficaram de pé diante daquEle que estava sobre o trono, e apesar disso, Ele não necessitava de conselheiros.
23. E havia um que era o mais elevado dentre os anjos, e este também não se apartava de diante do trono nem de dia nem de noite.
24. Até àquele momento eu me mantive prostrado sobre o meu rosto, pois tremia muito. Porém, o próprio Senhor foi o que me chamou com a sua forte voz, e me disse: Enoque, vem e aproxima-te.
25. Então veio um dos anjos e me pôs de pé e me ajudou a caminhar até a porta. Mas por reverência e temor eu mantinha o meu olhar voltado para baixo.

XV
1. E ele se dirigiu a mim, e disse: Ouve, não temas, justo Enoque, tu escriba da justiça. Vem para cá, e ouve a minha voz.
2. Vai, dize às sentinelas, aos que te enviaram para que intercedesses por eles. Pelos seres humanos, tu orarás e por eles suplicarás, mas não pelos anjos.
3. Porquanto, estes foram rebeldes e abandonaram o lugar de sua excelsa e santa habitação no céu, o qual permanece para sempre, e, além disso, deitaram-se com as mulheres e as tomastes como esposas. Agistes como os filhos da terra, e gerastes uma ímpia descendência.
4. Embora sendo santos e espirituais, e possuidores de uma vida que é eterna, vos contaminastes com mulheres, misturando-vos com o sangue das mulheres, e gerastes filhos com o sangue e com a carne. Estes, porém, morrem e perecem.
5. Por serem eles mortais é que Eu lhes tenho esposas, para que possam coabitar com elas e assim gerarem filhos, a fim de que a sua descendência não desapareça de sobre a terra.
6. Quanto a vós, fostes feitos espirituais desde o princípio. Possuís uma vida que é eterna, não estando sujeito à morte.
7. Por essa razão, não criei esposas para vós, porque, sois espirituais e a vossa habitação está no céu.
8. Agora, os gigantes que nasceram das vossas relações pecadoras se tornarão espíritos malignos sobre a terra, e na terra terão a sua morada.
9. Espíritos imundos procederam de vós, porquanto nascestes dos céus e vos misturastes com a carne dos homens. Por isso espíritos malignos serão os vossos filhos sobre a terra. E de hostes da maldade serão chamados.
10. Os espíritos do céu têm no céu a sua morada, mas sobre a terra estará a habitação dos seres terrestres, pois são nascidos na terra.
11. Os espíritos que habitam os gigantes afligem, oprimem, destroem, e causam muitos males sobre a terra, porquanto, já não têm com que se alimentar e não encontram com que matar a sede.
12. Desde agora eles se levantarão contra os filhos dos homens, e contra as mulheres, pois os têm culpado pela sua vinda ao mundo.

XVI
1. E há de ser que quando vier a destruição sobre a terra e forem mortos estes gigantes,eis que os seus corpos perecerão, pois também são de carne corruptível.  Quanto aos seus espíritos, estes ficarão sem julgamento e causarão muitos males aos homens até o dia da grande consumação do mundo, quando as sentinelas e todos ímpios hão de ser julgados.
2. Agora, visto que as sentinelas te têm enviado para rogar por eles que habitaram o céu desde o princípio,
3. Vai, e dize-lhes: Desde o princípio da criação vós estivestes no céu, e presenciastes muitas coisas, porém, nem todos os mistérios vos foram revelados. Contudo, o vosso coração se tornou endurecido, e participastes aos homens segredos os quais Eu havia vetado aos mortais
4. E os revelastes às mulheres, e por conta disso as mulheres e os homens têm multiplicado as suas iniqüidades sobre a terra.
5. Portanto, vai tu, Enoque, e dize-lhes: Vós não tereis paz!

XVII
1. Eles então me arrebataram e me levantaram a um lugar, onde todos os que lá estavam tinham a aparência de uma chama ardente, mas que podiam assumir formas humanas quando o desejavam.
2. E novamente me tomaram e me levaram a um lugar de total escuridão e era uma montanha, cujo cume ia até o céu.
3. Ali eu vi o lugar dos luminares e pude conhecer os tesouros das estrelas e dos trovões, e um profundo buraco negro, onde havia um arco de fogo e as flechas de sua aljava, e uma espada de fogo flamejante.
4. Então eles levaram-me a um rio de águas vivas, e a um fogo que emanava desde o oeste, de onde se pode ver o ocaso.
5. Dali, fui levado a um rio de fogo, o qual fluía como a água que corre para o grande mar ao oeste.
6. Vi todos grandes rios. E vi um que estava envolto em trevas. Depois fui para um lugar onde nenhum homem é capaz de andar.
7. Foi dali que eu vi as montanhas da escuridão do inverno, onde está a fonte de todas as águas que jorram do abismo.
8.  Eu vi o nascedouro de todos os rios que há no mundo, bem como a garganta do abismo profundo.

XVIII
1. Eu conheci os segredos dos quatro ventos do céu, e vi como eles contribuem para que o Criador mantenha a ordem da Sua criação.
2. Também vi as pedras fundamentais da terra em cada um dos seus quatro cantos e vi os quatro ventos que sustentam o mundo e o firmamento do céu.
3. Eu vi como estes quatro ventos se estendem além da altura do céu. Eis que eles estão sempre entre o céu e a terra, pois são os pilares do céu.
4. Vi os ventos do céu, os quais giram e determinam a órbita do sol e das estrelas.
5. Eu vi os ventos que sustentam as nuvens. Eu vi o itinerário dos anjos, e vi os confins da terra com o firmamento do céu acima.
6. E prossegui em direção ao sul, e eis um lugar no qual arde um fogo de dia e de noite, e ali estavam sete colinas de pedras preciosas. Três destas colinas ficavam do lado leste e três ficavam ao sul.
7. E as que estavam do leste eram assim: uma era de pedras multicoloridas, uma era de pérola e a terceira era de jacinto. Quanto às que estavam ao sul, eram todas de pedras rubras.
8.E dentre estas havia uma que chegava ao céu, como o trono de Deus, como uma coluna de alabastro cujo topo era de safira  .
9. E elevei os olhos, e vi além um fogo ardente que pairava sobre todas aquelas montanhas.
10. Aquele lugar é a extremidade da grande terra, onde também terminam os céus.
11. Também vi um profundo abismo que lançava colunas de fogo que iam até o céu. Ali pude ver também pilares de fogo que desciam para o interior do abismo, e eis que eram imensuráveis, tanto para baixo quanto o eram para o alto.
12. E além desse abismo eu vi um lugar no qual não existia o firmamento do céu, no qual também não existia um fundo. Ali não havia fontes de água, nem pássaros voavam lá, pois era um horrível e desolado lugar.
13. Lá eu vi sete estrelas semelhantes a grandes montanhas de fogo ardente. E quando perguntei ao anjo o que eram aquelas estrelas, eis que ele me respondeu:
14. Este é o lugar onde terminam céu e da terra, e tem se tornado em prisão para estrelas cadentes, as quais noutro tempo pertenceram às hostes celestiais.
15. Quanto às estrelas que viste a se debater nas chamas, eis que são os anjos que descumpriram os mandamentos do Senhor no princípio de sua rebelião, e não compareceram perante o Senhor quando foram chamados.
16. Portanto, a ira do Senhor se acendeu contra eles, e por isso Ele os acorrentou até ao juízo daquele grande dia.

XIX
1. Uriel então me disse: Estes são os anjos que assumiram formas diferentes a fim de se envolverem com as mulheres. E havendo os seus espíritos assumido diversas formas, eles enganaram os homens e os conduziram ao erro. Assim eles sacrificaram aos demônios como se fossem aos deuses. Por isso, aqui permaneceram até o julgamento daquele grande, quando hão de ser julgados.
2. Assim também, as mulheres que se envolveram com estes anjos, elas mesmas serão julgadas, e assumirão formas de sereias até ao dia do juízo.
3. E apenas eu, Enoque, tive essa visão, e vi o fim de todas as coisas. E homem algum esteve comigo para testemunhar estas coisas.

XX
1. Estes são os nomes dos sete anjos que vigiam a terra:
2. Uriel, um dos santos anjos, o qual poder sobre o Tártaro.
3.  Rafael, um dos santos anjos, o qual tem poder sobre os espíritos dos homens.
4. Reuel, um dos santos anjos, o qual faz justiça ao mundo dos luminares.
5. Miguel, um dos santos anjos, o qual preside sobre as primícias das nações.
6. Secael, um dos santos anjos, o qual se encarrega das orações dos filhos dos homens quando estes pecam por ignorância.     
7. Gabriel, um dos santos anjos, responsável pela guarda do Paraíso, e pela Serpente, e pelo sobre o Querubim.
8. Jeremiel, um dos santos anjos, o qual Deus confiou a guarda dos homens quando nascem. Estes, pois, são os nomes dos sete arcanjos.

XXI
1. Dali eu me dirigi para outro lugar, onde vi a oeste uma grande e mui elevada montanha de dura rocha.
2. E ali havia quatro lugares amplos e vazios. Além do mais, era profundo e coberto de fumaça. Três deles eram completamente sombrios, mas no quarto havia luz, e no meio deste eis uma fonte de água. Nisso exclamei: Quão fumacentos são estes lugares, e quão profundos e tenebrosos são!
3. Então Rafael me respondeu e disse: Esses lugares amplos estão reservados, e para cá devem vir as almas dos mortos. Porque para este propósito é que foram preparados. Aqui serão reunidas as almas dos homens.
4. Aí permanecerão até o dia do juízo final.
5. Então vi o espírito de um ser humano que havia morrido, e como se lamentava. E eis que o seu clamor subia até ao céu.
6. Então me dirigi a Rafael e perguntei: Que espírito é aquele que está chorando, cujo clamor ecoa pelo céu?
7. Ao que ele respondeu, dizendo: Este é o espírito do justo Abel o qual foi assassinado por Caim seu irmão. E eis que de dia e de noite clama por vingança, e não se calará até que Caim seja punido pelo seu pecado.
8.  Mas eu estava desejoso de saber mais a respeito daqueles quatro lugares, e porque eles estavam separados uns dos outros.
9. Rafael me respondeu: Eis que três lugares existem e estão preparados para fazer separação entre as almas daqueles que morrem. Mas aquele lugar que viste, no qual existe luz e uma fonte de água está reservado para as almas dos justos.
10. Quanto aos três lugares, amplos e sombrios, estão preparados para receber as almas dos pecadores impenitentes.
11. Aqui os seus espíritos são separados em conformidade com os seus pecados até que venha o dia do julgamento. Já aqui eles são atormentados com muitas torturas, mas quando enfim forem julgados, então serão amarrados e lançados nas trevas para todo o sempre.
12. É para cá que vêm os espíritos dos murmuradores, ímpios pecadores, praticantes de todas as formas de iniqüidades e amigos de injustos. Os que para cá vierem não receberão outra condenação no dia do juízo, todavia, não ressuscitarão, nem sairão daqui.
13. Então eu louvei ao Senhor da glória, e disse: Bendito és Tu, ó Justo e Majestoso Senhor, que julgas e condenas a impiedades dos ímpios. Tu és Senhor para todo o sempre!

XXII
1. Dali eu segui para outro lugar, em direção ao oeste, bem no fim da terra,
2. Onde vi uma chama que corria sem cessar, pois não tinha descanso nem de dia nem de noite.
3. Eu perguntei: Que fogo é esse, e por que está sempre em movimento?
4. Então Reuel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu e disse: Esse fogo que vês sempre correndo é o fogo do oeste, o qual persegue todos os luminares do céu.

XXIII
1. E fui para outro lugar da terra, e o anjo me mostrou uma montanha de fogo que ardia tanto de dia quanto de noite.
2. E prossegui e vi sete magníficas montanhas, as quais eram diferentes umas das outras.
3. Suas pedras eram brilhantes e mui lindas. Todas eram brilhantes e esplêndidas à vista. Três montanhas ficavam ao leste, fundadas uma sobre a outra. Três estavam ao sul, firmadas à semelhança das três primeiras. A sétima montanha estava no meio delas. Era incrivelmente excelsa e superior às outras e no topo desta estava grande trono. E ao redor deste trono havia árvores de diversas fragrâncias.
4. Entre estas havia uma árvore de um odor ao qual eu jamais houvera sentido.  Suas folhas e flores nunca fenecem, e seu fruto é mui belo.
4. E fruto dessa árvore era semelhante ao cacho da tamareira.
5. Ao ver tão magnífica árvore, eu exclamei: Quão formosa é essa árvore, e quão viçosas são suas folhas, e quão precioso e agradável é o seu fruto!
6. Então o arcanjo Miguel, que era o guardião daquela árvore, me disse:

XXIV
1. Enoque, por que tanto te admiras com a fragrância desta árvore? E por que estás tão interessado em conhecer a verdade a seu respeito?
2. Ao que eu, Enoque, respondi: Eis que desejo conhecer a verdade a respeito de todas estas coisas, mas particularmente no que concerne a esta árvore.
3. Ele me respondeu, dizendo: A esta grande montanha a qual que tu vês, e cujo cume se parece com um trono, de fato é o trono do Senhor, e eis que ele está reservado ao Grande Rei da Glória, o qual virá com certeza e visitará a terra, demonstrando toda a Sua bondade aos homens.
4. E quanto àquela árvore cujo odor é agradabilíssimo, eis que está vetada aos mortais e não poderão se aproximar dela até que venha o grande julgamento, quando o Rei Eterno trouxer vingança sobre todos os ímpios e fizer juízo sobre toda a criação. E há de ser que quando isso acontecer, então os justos e santos poderão tomar do fruto desta árvore e o comerão.
5. Porque o fruto desta árvore servirá de alimento para os santos do Altíssimo, e eis que depois a árvore há de ser tirada daqui para ser plantada no santo lugar, a saber: no Jardim de Deus, onde também está o trono do Rei Eterno.
6. Nesse tempo haverá alegria e grande gozo. E os santos entrarão na cidade santa. E acontecerá que o perfume desta árvore será como um bálsamo que penetra até aos seus ossos, e assim terão longa vida sobre a terra, tal como o era no começo da criação. E eis que em todos os seus dias não existirá calamidade, nem peste, nem dor.
7. E ao ouvir estas coisas eu (Enoque) louvei o Nome do Senhor da Glória, o Rei Eterno, por haver Ele preparado todas estas coisas, e por haver criado a árvore da vida, e por tê-la prometido aos santos.

XXV
1. E então saí daquele lugar e fui para o centro da terra, e vi uma região fértil e maravilhosa, cheia de belas árvores em cujos galhos brotavam flores.
2. Ali eu vi um santo monte, e debaixo dela, ao leste, uma fonte cujas águas fluíam em direção ao sul.
3. Ainda ao leste vi outra montanha, mas alta que a anterior, e entre as duas montanhas vi um vale estreito, profundo e árido (porque o ribeiro que corria da fonte passava por debaixo da terra).
4. Ao oriente deste monte havia o terceiro monte, porém era mais baixo do que ele. E nos limites daquela região havia ainda ouro vale, seco, profundo e estreito.
5. Estes vales eram profundos e o solo destes era duro e seco como as rochas, de sorte que era impossível nascerem árvores ali.
6. E eu estava mui maravilhado diante daquelas montanhas, e diante daquele solo rochoso.

XXVI
1. Pelo que indaguei: Que terra bendita e maravilhosa é essa, cheia de árvores frondosas e de bons frutos? E que terra amaldiçoada é essa, seca e sem plantações? E por que existe um profundo vale entre ambas?
2. Então Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu, e disse: Este vale é para aqueles que foram amaldiçoados para sempre. Eles aqui serão reunidos por terem pronunciado blasfêmias contra Deus. Aqui mesmo estarão e este há de ser o lugar do seu julgamento.
3. E há de ser que no último dia eles servirão de espetáculo para os justos, aos que receberão a misericórdia do Senhor e Rei Eterno para sempre.
4. E acontecerá que depois desse grande julgamento, os justos bendirão ao Senhor pela misericórdia que Ele lhes fez.
5. Devido a estas coisas, eu bendisse o Nome do Senhor e o louvei por Sua grandeza e bondade.

XXVII
1. Dali eu segui ma direção do leste para o meio da montanha no deserto, e eis que esse deserto estava desolado.
2. No entanto, esse deserto estava repleto de árvores e plantas, e ali eu vi também uma cascata que jorrava desde o alto.
3. E eis que as águas dessa cascata eram abundantes, e fluíam para o oriente e para o ocidente o oriente.

XVIII
1. Então fui conduzido a outro lugar além daquele deserto; em direção ao leste daquela montanha da qual eu havia me aproximado.
2. Ali eu vi árvores que exalavam odores excelentíssimos, tais como incenso e mirra. As árvores diferiam umas das outras.

XXIX
1. E para além destas, indo eu para o leste das montanhas, eis que encontrei outro lugar, um vale onde havia muita água.
2. Ali vi uma bela árvore cujos galhos eram como canas aromáticas.
3. Em ambos os lados desse vale eu vi árvores cujos odores eram doces como o cheiro agradável da canela.

XXX
1. Depois destes vales, parti para o leste. Ali contemplei outras montanhas, e eis que ali também existiam árvores, do meio das quais fluía um néctar chamado Galboneba.
2. E além desta montanha eu vi outra montanha, na qual existiam árvores de aloés. E eis que estas árvores estavam cheias de frutos cujas cascas eram duras como as sementes das amêndoas.
3. Os frutos destas árvores eram os melhores da região e o seu sabor era mais agradável do que os seus odores.

XXXI
1. Depois fragrâncias, estando eu voltado para o norte, olhei, e vi acima das montanhas,  sete montanhas de nardo puro, e Eli,  árvores com odores de canela e pimenta-do-reino.
2. Dali eu segui, e passei por cima dos picos daquelas montanhas, indo para bem longe ao leste, voando sobre o Eriteu, o qual é o Mar Vermelho. E avancei até bem longe, acima do anjo Zatiel.
3. Então cheguei ao Jardim da Justiça. Além deste jardim vi inúmeras árvores enormes, as quais só nasciam ali. Elas também exalavam um perfume muito agradável, eram bonitas e gloriosas, porquanto eram árvores do conhecimento, e davam grande sabedoria a todos quantos comessem do seu fruto.
4. Eram semelhantes as tamareira. Quanto a seus frutos, nasciam em cachos como os de uma parreira. O cheiro que exalavam ia se espalhando até bem longe.
5. Pelo que eu disse: Quão bela é esta árvore e quão deleitosa é sua aparência!
6. Veio então o santo anjo Rafael, que estava comigo, e me disse: Esta é a Árvore da Ciência do bem e do mal, da qual vosso antigo pai e vossa mãe comeram, os quais foram antes de ti, porque comeram e aprenderam a sabedoria, pois se abriram os seus olhos, e conheceram que estavam nus. Por isso foram expulsos do jardim.

XXXII
1. Dali eu fui para o fim da terra, onde vi grandes bestas, cada uma diferente da outra, e também pássaros que diferiam em suas formas, beleza e canto.
2. Ao leste da região onde estavam estes animais estavam os limites da terra, onde terminam os céus. Assim, vi os Portões do Céu que estavam abertos.
3. E vi as estrelas do céu que vinham. Eu as contei enquanto passavam pelos portões e anotei-as individualmente enquanto saíam uma por uma, de acordo com seu número. E escrevi seus nomes de acordo com as suas constelações e suas posições, seus meses e estações.  Tudo isso eu fiz enquanto o anjo Uriel, que estava comigo, mas mostrava.
4. Ele me apresentou todas elas, eu tomei nota do número delas. Depois, ele mesmo escreveu seus nomes para mim, bem como as suas leis e funções.

XXXIII
1. Dali eu fui para o fim da terra ao oeste. Eis que lá estava um grande e glorioso equipamento (uma placa? uma inscrição?).
2. E como lá no leste, eu vi também ali três portões abertos. E através de cada um deles procediam os ventos do norte, e acontecia que, soprando eles, fazia-se o calor, e a saraiva, e o gelo, e a neve, e o orvalho, e a chuva.
3. De um destes portões soprava uma brisa suave; porém, quando os ventos sopravam através dos outros dois portões, era com fúria, trazendo tormentos sobre a terra.

XXXIV
1. Saindo dali eu fui para o oriente, ainda no extremo do mundo, e como das outras vezes ali também havia três portões abertos e, dentro destes, outros portões menores.

XXXV
1. Estando eu ainda no fim da terra, segui para o sul, onde vi três portões abertos no céu, tendo estes as suas saídas voltadas para o leste, os quais tinham portões menores dentro deles. E o vento sul, e a neblina, e a chuva passavam por cada um destes portões menores.

XXXVI
1. Então prossegui, e fui para as bandas do leste, ainda no extremo do céu e vi que os três portões do lado oriental do Céu estavam abertos e acima deles havia portões pequenos.
2. Através de cada um destes portões menores passavam as estrelas do céu, e eis que dali elas seguiam por uma senda que lhes havia sido preparada.
3. Ao que, vendo-as eu, exaltei grandemente ao Senhor da glória o qual tem feito grandes e maravilhosos sinais. E O louvei ainda mais por haver Ele me mostrado a magnificência de suas obras, e aos anjos e às almas de todos os homens, a fim de que possam glorificar todas as Suas obras. Assim também possam todos os seres criados ver as obras do seu poder e glorifiquem os feitos de Suas mãos para sempre.

XXXVII
1. Essa é a segunda visão que ele viu, a visão da sabedoria a qual Enoque, o filho de Jarede, filho de Maalelel, o filho de Quenã, filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, viu
2.  E esse é o começo da palavra de sabedoria, a qual eu recebi declararei: Ó vós que habitais sobre a terra seca, ouvi, vós que sois de mais idade, e entendei, vós que sois mais novos, porque essas são as palavras que o Senhor me tem revelado, e eu as declararei tal como as recebi do Senhor dos Espíritos.
3. Melhor me fora declará-las apenas aos mais velhos, todavia, aqueles que vieram depois também precisam escutar os conselhos da Sabedoria.
4. Até ao dia de hoje o Senhor dos Espíritos havia ocultado tal conhecimento aos filhos dos homens, mas o tem revelado a mim segundo a capacidade do meu entendimento, e segundo o beneplácito do Senhor dos Espíritos. E eis que o que dEle recebi  é  apenas uma centelha da vida eterna.
5. Três parábolas me foram reveladas, e agora erguerei a minha voz e as pronunciarei aos ouvidos daqueles que habitam a terra seca.

XXXVIII
1. Quando a congregação dos justos se manifestar e os pecadores forem julgados por seus crimes, e varridos da face da terra.
2.  Quando o Justo for revelado aos justos e escolhidos,  cujas obras são pesadas pelo Senhor dos Espíritos. Porque quando a Sua luz resplandecer sobre os eleitos que habitam a terra seca, o que acontecerá com a morada dos ímpios? E o que será do lugar de descanso daqueles que negam o Senhor dos Espíritos? E eis que eu digo: melhor seria se eles se nunca tivessem nascido!
3.  Porque quando os segredos dos justos forem revelados, então os pecadores serão julgados e os ímpios hão de ser banidos da congregação dos justos e escolhidos.
4. Desde então, os poderosos e soberbos deixarão de dominar sobre a terra.  E nem serão poderão sequer de contemplar a face dos santos, pois estes terão contemplado o rosto do Senhor e terão as suas faces iluminadas pela Sua glória
5. Os reis e os poderosos da terra serão abatidos num momento, e serão entregues nas mãos dos santos do Senhor.
6. Daquele dia em diante, não poderão mais buscar a face do Senhor dos espíritos, e não encontraram mais o Seu perdão porquanto a medida de sua maldade estará consumada.

XXXIX
1. E há de ser que naqueles dias os escolhidos descerão dos altos céus e a sua descendência estará entre os filhos dos Homens.
2. Naqueles dias Enoque recebeu o livro do zelo e da ira, e o livro da angústia e da tribulação. Não haverá misericórdia para os homens naqueles dias, diz o Senhor dos Espíritos.
3. Naquele tempo, nuvens e tempestades de vento me arrebataram, e fui levado de sobre a face da terra para o extremo do céu.
4. Então recebi nova revelação. Eu vi a morada do Justo e a habitação do Santo.
5. Sim, os meus olhos contemplaram a morada dos anjos e a sua habitação diante do Altíssimo, e eis que eles oravam, e faziam súplicas em favor dos filhos dos homens. Diante deles a justiça fluía como um rio e a misericórdia como um ribeiro sobre a terra.
6. Meus olhos também viram a eterna morada dos santos e escolhidos. Paz e justiça haverá naqueles dias e o número dos escolhidos não se poderá contar.
7. Também vi as moradas do esconderijo do Altíssimo, e eis que todos os santos e eleitos estavam cantando diante dEle, e vi que perante o Senhor as suas vestes brilhavam como a luz de uma estrela. De suas bocas saíam palavras de bênçãos e seus lábios exaltavam o nome do Senhor dos Espíritos. A justiça estará continuamente dentro deles para que não pequem jamais perante o Senhor.
8. Ao ver estas coisas, eu quis ficar ali; sim, a minha alma desejou habitar naquele lugar, porquanto lá estava minha prometida herança, e o Senhor dos Espíritos já a havia determinado para mim.
9. Então exaltei o nome do Senhor dos Espíritos com louvor e adoração.
10. Por muito tempo os meus olhos contemplaram aquele lugar. Pelo que eu o glorifiquei, dizendo: Bendito seja Deus desde agora e para sempre, e bendito seja esse maravilhoso lugar.
11. Na Diante dEle, tudo é uma vastidão infinda. Deus conheceu todas as coisas antes que existisse o tempo, e para todo o sempre Ele será.
12. Ele que não dorme te abençoe para sempre para que possas permanecer diante da Sua glória. Santo, santo, santo, é o senhor dos Espíritos, que encheu a terra com os espíritos.
13. E ali os meus olhos também viram aqueles cujos olhos não dormem nem de noite nem dia, porquanto permanecem diante de Deus, bendizendo e cantando: Bendito és Tu, e bendito é o nome do senhor para sempre!
14. Então a Sua glória iluminou o meu rosto e o envolveu, de tal modo que eu não o podia contemplar.

XL
1. Depois disso, eu vi milhares de milhares e dez mil vezes dez mil! Uma multidão incontável de pessoas, todas elas em pé, na presença do Senhor dos Espíritos.
2. E eu olhei, e eis que dos quatro lados do senhor dos Espíritos, eu vi quatro criaturas diferentes daqueles que estavam diante dEle e que não dormem jamais. E eu pude conhecer os seus nomes, pois o anjo que estava comigo me revelou todas as coisas ocultas e assim me disse quais eram os seus nomes.
3. Então ouvi as vozes daquelas quatro criaturas, e elas cantavam diante do Senhor da glória.
4. A primeira voz bendisse o nome o Senhor dos Espíritos para sempre e eternamente.
5. A segunda voz que eu ouvi bendizia ao Eleito e aos eleitos que carecem do Senhor dos Espíritos.
6. A terceira voz que eu ouvi intercedendo em favor daqueles que habitam sobre a terra seca, cujas orações são feitas em nome do Senhor dos Espíritos.
7. E a quarta voz que eu ouvi estava expulsando satanás e seus anjos, e proibindo-os de subirem à presença do Senhor dos Espíritos, a fim de que não mais tragam acusações contra aqueles que habitam a face da terra.
8. Depois disso, eu perguntei ao anjo da Paz, que estava comigo, e ele me declarou tudo o que estava em oculto. Então indaguei: Quem são aquelas quatro criaturas que eu vi, cujas palavras escutei e tenho tomado nota.
9.  E ele me respondeu: A primeira criatura que viste é Miguel, o misericordioso e longânimo.  O segundo, é aquele que preside sobre as fraquezas dos filhos dos homens, e o seu nome é Rafael. O terceiro, o qual detém a força, é Gabriel. E o quarto é Fanuel, o anjo do arrependimento e da fé daqueles que hão de herdar a vida eterna.
10. Estes são os quatro anjos do Senhor dos Espíritos, e eis que naqueles dias eu pude ouvir as suas quatro vozes.


XLI
1.  Depois disso eu vi todos os segredos do céu e vi como o seu Reino é dividido, e vi como os feitos humanos são pesados em balanças.
2. Vi as habitações dos eleitos e as habitações dos santos. E ali meus olhos viram todos os pecadores que haviam negado o Senhor da glória e como eles foram expelidos dali, e arrastados para fora, como eles estiveram ali; nenhuma punição procedeu contra eles vinda do Senhor dos espíritos.
2. Ali também meus olhos viram os segredos do raio e do trovão e os segredos dos ventos, como eles são distribuídos quando eles sopram sobre a terra: os segredos dos ventos, do orvalho, e das nuvens. Ali eu vi o lugar de onde eles saem e tornam-se saturados com o pó da terra.
3. Ali eu vi os receptáculos de madeira nos quais os ventos são separados, o receptáculo do granizo, o
receptáculo da neve, o receptáculo das nuvens, e a própria nuvem, a qual continuava sobre a terra antes da criação do mundo.
4. Eu vi também os receptáculos da lua, de onde elas vêm, para onde elas vão, seus gloriosos retornos e como uma se torna mais esplêndida do que a outra. Eu marquei seu rico progresso, seu imutável progresso, sua divisão e não diminuído progresso; sua observância de uma fidelidade mútua por um juramento estável; seu procedimento diante do sol e sua aderência ao caminho que lhes foi distribuído, em obediência ao comando do Senhor dos espíritos. Potente é seu nome para sempre e sempre.
5. Depois eu vi que o caminho da lua, tanto oculto quanto manifesto; e também o progresso dessa trajetória foram completados dia a dia, e à noite; enquanto cada uma, junto com a outra, olhou para o Senhor dos espíritos, magnificando-O e exaltando-O sem cessar, já que exaltá-lo, para eles, é repouso; pois no esplêndido sol há uma freqüente alteração para bênção e para maldição.
6. O curso do caminho da lua para com os retos é luz, mas para os pecadores é escuridão; no nome do Senhor dos espíritos, o qual criou uma divisão entre luz e escuridão, e separando os espíritos dos homens, fortalecendo os espíritos dos justos em nome de sua própria retidão.
7. O anjo não previne isto, nem é ele dotado de poder para preveni-lo, pois o Juiz vê a todos, e julga-os a todos na própria presença deles.

XLII
1. A sabedoria não encontrou um lugar na terra onde pudesse habitar; sua habitação, portanto está no céu.
2. A sabedoria saiu para habitar entre os filhos dos homens, mas ela não obteve habitação. A sabedoria retornou ao seu lugar e assentou-se no meio dos anjos. Mas a iniqüidade saiu depois do seu retorno, a qual de má vontade encontrou uma habitação e residiu entre eles como chuva no deserto, e como o orvalho na terra seca.

XLIII
1.Eu vi outro esplendor, e as estrelas do céu. Eu observei que ele chamou-as todas por seus respectivos nomes, e que elas ouviram. Vi que ele pesou-as numa justa balança por sua luz e amplitude de seus lugares, o dia de seu aparecimento, e suas conversões. Esplendor produziu esplendor; e sua conversão foi o número dos anjos, e dos fiéis.
2. Então eu perguntei ao anjo, que prosseguia comigo, e ele explicou-me coisas secretas, e quais eram seus nomes. Ele respondeu: O Senhor dos espíritos mostrou a ti uma similaridade disto. Eles são nomes dos justos que habitaram na terra, os quais acreditam no nome do Senhor dos espíritos para sempre e sempre.

XLIV
1. Outra coisa também vi com respeito ao esplendor; que ele sobe por causa das estrelas e torna-se esplendor, sendo incapaz de abandoná-las.

XLV
1. A segunda parábola, a respeito daqueles que negam o nome da habitação dos santos e do Senhor dos espíritos.
2. Aos céus eles não ascenderão nem virão sobre a terra. Esta será a porção dos pecadores que negam o nome do Senhor dos espíritos e que estão assim reservados para o dia da punição e da aflição.
3. Naquele dia o Eleito se assentará sobre um trono de glória e escolherá suas condições e suas incontáveis habitações, enquanto seus espíritos neles serão fortalecidos quando eles virem meu Eleito, pois esses fugiram por proteção para meu santo e glorioso nome.
4. Naquele dia Eu farei com que meu Eleito habite no meio deles; mudarei a face do céu; o abençoarei e o iluminarei para sempre.
5Eu também mudarei a face da terra, a abençoarei; e farei com que aqueles a quem elegi habitem sobre ela. Mas aqueles que cometeram pecado e iniqüidade não habitarão nela, pois Eu marquei seus procedimentos. Meus justos Eu satisfarei com paz, colocando-os diante de Mim; mas a condenação dos pecadores se aproximará, para que Eu possa destruí-los da face da terra.
XLVI
       1. E vi um Ancião de dias, cujos cabelos eram alvos como a branca lã. Com ele estava outro cuja face era semelhante à face de um ser humano, porém, com a graça de um santo anjo.
2. Vi um dos santos anjos, o qual estava comigo e me revelou todos os segredos acerca do Filho do Homem; quem Ele era, e de onde ele veio, e porque estava diante do Ancião de dias.
3. Ele me falou, e disse: Esse é o Filho do Homem, com quem está a justiça. É Ele quem revela todos os mistérios e todos os segredos escondidos; sim, porque o Senhor dos Espíritos o tem escolhido, porquanto a sua justiça tem superado a justiça de todos. Ele é digno de estar na presença do Senhor dos Espíritos eternamente.
 4. O Filho do Homem a quem tu tens visto, Ele é o que removerá os reis e os poderosos do seu lugar, e os fortes dos seus tronos; Ele abaterá o império dos poderosos e quebrará os dentes dos pecadores.
  5. Ele derrubará os reis dos seus tronos e reprovará os seus reinos porquanto não O glorificaram nem lhe ofertaram louvores, nem se humilharam reconhecendo Aquele que lhes deu o poder para reinar.
  6. Portanto, Ele abaterá os ímpios e os deixará envergonhados, e nas trevas lhes dará morada; ali estarão na companhia dos vermes, porquanto não exaltaram o nome do Senhor dos Espíritos.
  7. São eles os que julgam as estrelas do céu, e que erguem as suas mãos contra o Altíssimo. Eles não entendem que apenas pisam o pó da terra e habitam sobre ela. Eles não reconhecem a própria iniqüidade e não consideram que a sua força jaz apenas nas riquezas, e que a sua fé está nos ídolos feitos por mãos humanas. Eles perecerão, pois negam o nome do Senhor dos Espíritos.
  8. Estes hão de perseguir os justos, arrancando de suas congregações aqueles que temem o nome do Senhor dos Espíritos.

XLVII
 1. Naquele dia as orações dos justos e o sangue dos santos subirão da terra à presença do Senhor dos Espíritos.
   2. Nesse dia, os santos que habitam o Céu se unirão em uma voz, e suplicarão, e o orarão, e louvarão, e darão graças e bendirão o nome do Senhor dos Espíritos, por causa do sangue dos justos derramado sobre a terra. As orações dos justos não cessam diante do Senhor dos Espíritos, a fim de que lhes faça justiça sem mais demora.
   3. E vi o Ancião de dias sentado no seu trono de glória, e os livros da vida foram abertos perante os olhos de todos os seus exércitos que estão nos Céus, e is que o seu séquito estava diante Dele.
   4. Naquele momento os corações dos justos se encheram de alegria, porquanto entenderam que já o número dos eleitos se tinha completado; já as suas orações haviam sido ouvidas e o sangue dos justos estava sendo vingado perante o Senhor dos Espíritos.

XLVIII
    1. Naquele lugar, vi surgir um rebento de justiça e vários rebentos de sabedoria que surgiam ao lado deste. Todos os sedentos podiam beber dele a fim de se encherem de sabedoria, pois permanecerão ali, diante dos santos e escolhidos.
    2. E naquele instante o Filho do Homem foi introduzido na presença do Senhor dos Espíritos, e ouvi quando o Seu nome foi pronunciado diante do Ancião de dias.

    3. Porém, antes de existirem o sol e as constelações, ou mesmo antes de serem criadas as estrelas do céu, já o nome do Filho do Homem era conhecido diante do Senhor dos Espíritos.
    4. Ele há de ser um estandarte para os justos, a fim de que aprendam a justiça e não voltem a tropeçar. Ele será a luz das nações e a esperança para todos quantos sofrem em seus corações.
    5. Todos os que habitam sobre a terra cairão prostrados diante Dele e o adorarão. Eles O glorificarão, e com hinos bendirão o nome do Senhor dos Espíritos.
     6. Por esta razão foi Ele escolhido e esteve escondido na presença do Senhor desde antes da criação do mundo.
     7. Mas a sabedoria do Senhor dos Espíritos O tem revelado aos santos e aos justos, porquanto são a sua porção sobre a terra, e já abominaram esta era de injustiças, e desprezaram a própria vida, preferindo a santidade do Senhor dos Espíritos, porquanto no seu nome há salvação e Ele os vingará por todas as injustiças sofridas.
     8. Naqueles dias os rostos dos reis da terra ficarão desfigurados sobre o pó por causa dos feitos de suas mãos, e acontecerá que vindo o dia de sua tribulação, eles não serão salvos.
     9. Eu os entregarei nas mãos dos meus eleitos. E como a palha que é devorada pelo fogo, e como o chumbo que se afunda na água, assim serão eles destruídos perante a face dos santos; desaparecerão de diante dos justos, de sorte que não deixarão o menor resquício.
     10. No dia de grande perturbação hão de cair perante os meus justos e eleitos; cairão e não haverá quem lhes estenda a mão para levantá-los, porquanto têm negado o nome do Senhor dos Espíritos e do seu Ungido.
   
IXL
     1. Porquanto a sabedoria tem sido vertida como a água, e a glória da sua presença não se acabará jamais.
      2. Porque Ele é poderoso em todos os segredos da justiça, pelo que diante dEle as obras da injustiça serão desfeitas como uma sombra e não se poderão mais encontrar. E já agora o Eleito tem assumido o seu lugar na presença do Senhor dos Espíritos. Sua glória será eterna e o seu poder dura por gerações sem fim.
    3. Nele habita o espírito de sabedoria, e o espírito de discernimento, e o espírito de instrução e de poder, e o espírito daqueles que já descansam em justiça.
    4. Ele o quem julga as coisas ocultas, de modo que a língua mentirosa não prevalecerá na sua presença. Ele é o Eleito do Senhor dos Espíritos segundo a sua vontade.

L
    1. Naqueles dias uma ocorrerá uma transformação sobre os santos, porquanto a luz dos dias repousará sobre eles; glória e honra pertencerão aos santos.
    2. No dia da tribulação, a calamidade será amontoada sobre os pecadores; os justos, todavia, triunfarão no nome do Senhor dos Espíritos, e Ele mostrará estas coisas aos outros para que se arrependam e abandonem as obras de suas mãos.
    3. Eles não prevalecerão perante o Senhor dos Espíritos, mas os justos serão salvos em seu nome, e o Senhor dos Espíritos terá misericórdia deles, pois é grande a sua misericórdia.
    4. Ele é justo em seu julgamento e diante de sua glória a iniqüidade não se susterá. Todos quantos não se arrependeram hão de ser destruídos.
     5. Desde então Eu não me apiedarei deles, diz o Senhor dos Espíritos.

LI
     1. Naquele tempo a terra restituirá aquilo que lhe foi confiada, e o Inferno devolverá aquilo que lhe foi entregue, porque até o destruidor dará conta daquilo que ele destruiu.
      2. Nesse tempo, aparecerá o meu Eleito e escolherá os seus santos dentre eles, porquanto vem se aproximando o dia no qual eles serão salvos.
      3. Então o meu Eleito se assentará no seu trono, e todos os segredos da sabedoria emanarão dos seus lábios, porque o Senhor dos Espíritos o tem elegido e glorificado.
      4. Nesse tempo, as montanhas saltarão como carneiros, e as colinas pularão como cordeiros quando satisfeitos com leito, e todos hão de ser como os anjos que estão no Céu.
       5. Suas faces reluzirão de alegria, porquanto naquele dia o meu Eleito terá se levantado e toda a terra se regozijará. Os justos estarão ali e os escolhidos lá habitarão.

LII
      1. Logo depois daqueles dias, naquele mesmo lugar onde eu havia recebido as visões das coisas ocultas, uma vez que eu houvesse sido transportado em meio a um redemoinho de ventos que me levaram ao oeste.
      2. E lá os meus olhos viram os mistérios do Céu, bem como as coisas que ocorrem na terra: uma montanha de ferro e uma montanha de cobre, e uma montanha de prata, e uma montanha de ouro, e uma montanha de metal leve, e uma montanha de chumbo.
      3. Em vê-las, eu perguntei ao anjo que estava comigo: Qual o significado destas coisas que hei visto no secreto?
      4. E ele me disse: Todas estas coisas que tu viste hão de servir à autoridade do Messias, a fim de que Ele seja poderoso e magnífico sobre a terra.
      5. O anjo da paz me disse ainda: Espera um pouco, pois todas as coisas até então escondidas em Deus te serão reveladas.
      6. Estas montanhas que tu tens visto: a montanha de ferro, a montanha de cobre, a montanha de prata, a montanha de ouro, a montanha de metal leve e a montanha de chumbo, todas elas serão perante o Eleito tal como o é a cera diante do fogo, e como a água que do céu desce sobre estas montanhas; assim serão elas como nada sob os seus pés.
      7. Naquele dia ninguém conseguirá se salvar, quer pelo ouro, quer pela prata; assim também não haverá ninguém que esteja capacitado a escapar.
      8. Não haverá mais ferro para a guerra, nem material para um peitoral, nem mais se usará o bronze; o estanho perderá o valor e o chumbo não será mais desejado.
     9. Todas estas coisas serão desprezadas e perecerão sobre a face da terra quando enfim o Eleito se manifestar diante do Senhor dos Espíritos.

LIII
     1. Lá os meus olhos viram um vale mui profundo, e eis que a sua boca estava aberta, e todos quantos moram sobre a terra seca ou sobre as ilhas do mar trarão ofertas e presentes para lhe oferecer, e apesar disso ele jamais se encherá.
    2. Porquanto com as suas mãos praticam atos indecentes, de modo que destroem tudo o que os justos se empenham em construir. Por esta razão, os pecadores não subsistirão na presença do Senhor dos Espíritos, mas da terra hão de ser banidos para sempre e eternamente.
    3. E eu vi o anjo da condenação a descer, a fim de preparar todos os instrumentos de Satanás.
    4. Então falei ao anjo da paz: Estes instrumentos, para quem estão sendo preparados?
    5. O anjo me respondeu: Estão sendo preparados para os reis e os poderosos da terra, a fim de que ali pereçam.
    6. Depois disso, o meu Eleito fará surgir a casa de sua congregação, e desde então no nome do Senhor dos Espíritos eles não mais retardarão.
    7. Quando isso acontecer, estas montanhas serão como a cera que se derrete e assim se desfarão diante dos justos; quanto às colinas, eis que serão como ribeiros de água. Assim os justos terão descanso da opressão dos pecadores.
  
LIV
   1. E olhei, voltando-me para o outro lado da terra, e a estava um vale profundo ardendo como uma fornalha.
  
   2. E eles tomarão os reis e os poderosos da terra e os atirarão no vale profundo.
   3. Ali os meus olhos viram como são feitos os seus instrumentos, cadeias de ferro de peso imensurável.
   4. Assim, perguntei ao anjo da paz que estava comigo: Estas cadeias de ferro, para quem estão sendo preparadas?
   5. Ao que me respondeu: Eis que estão sendo preparadas para os anjos de Azazel, porquanto importa que sejam aprisionados e atirados nas partes mais baixas do inferno; ali ficarão presos pelas mandíbulas aos rochedos, pois assim o tem determinado o Senhor dos Espíritos.
   6. Então Miguel, Gabriel, Rafael e Fanuel os aprisionarão naquele grande dia, e logo os precipitarão no interior da fornalha que arde com enxofre, e assim o Senhor dos Espíritos se vingará deles por conta da iniqüidade que praticaram, pois se deixaram tornar em servos de Satanás e enganaram aqueles que habitam a terra.
   7. Naquele mesmo dia virá uma condenação da parte do Senhor dos Espíritos, e Ele abrirá todas as câmaras das águas que estão debaixo do céu, e todas as fontes que estão debaixo da terra.
   8. E todas as águas se ajuntarão (porquanto as águas que estão nas nuvens são machos, e as águas que estão na terra são fêmeas).
   9. E todos os que habitam a terra, e todos os que estão sob a extremidade do céu hão de ser varridos.
   10. Assim reconhecerão as iniqüidades que praticaram sobre a terra e saberão o motivo pelo qual estarão sendo julgados.

LV
   1. Depois disso o Ancião de dias se arrependeu e disse: Eis que me arrependo de haver destruído aos que habitam sobre a terra.
   2. Portanto, Ele mesmo jurou em seu grande Nome, dizendo: De agora e diante não mais agirei desta maneira para com os que habitam sobre a terra. E Eu porei um sinal no Céu, o qual será um símbolo de fé entre Mim e eles para sempre enquanto durar o céu sobre a terra. Isso Eu farei segundo a minha vontade.
  3. Quando Eu desejar trazer juízo sobre eles, Eu o farei pelas mãos dos anjos, no dia da tribulação e da angústia, devido à ira de minha justiça, diz o Senhor dos Espíritos.
   4. Poderosos reis da terra, eis que testemunhareis o meu Eleito, o qual em nome do Senhor dos Espíritos se assentará sobre o seu trono de glória para julgar a Azazel e a todos quantos se associam a ele.

LVI
   1. Então vi as hostes de anjos da condenação, os quais traziam correntes de ferro e bronze.
   2. E perguntei ao anjo da paz que estava comigo: Para quem estão eles trazendo estas cadeias?
   3. O anjo me disse: São para os seus amados e escolhidos, para que eles possam ser atirados nas profundezas do abismo que está no vale.
  4. Assim estará o vale cheio de seus amados e escolhidos, e os dias de sua vida terão chegado ao fim, e já não poderão se desviar.
  5. Naqueles dias, os anjos os ajuntarão e os conduzirão para o oriente, acima dos Medos e dos Persas. Estes provocarão grande perturbação aos reis da terra, de modo que um espírito de confusão, e eles destroçarão os seus tronos, pois surgirão como leões quando saem dos esconderijos, e como os lobos devoradores que se apressam contra os rebanhos de ovelhas.
  6. Depois eles subirão e pisarão a terra dos seus escolhidos, e assim a terra estará diante deles como o solo de uma eira.
  7. Todavia, a terra dos meus eleitos há de ser um estorvo para a sua cavalaria. De modo que lhes sobrevirá tão grande confusão que eles acabarão declarando guerra um contra o outro, pois a terra na qual se gloriavam estará se fortificando contra os seus próprios habitantes; um homem não mais confiará no seu irmão, e um filho desconfiará até mesmo dos pais que o geraram; assim o número de seus cadáveres acabará sendo maior do que previa a matança, de sorte que a sua punição não será sem motivos.
  8. Ainda naqueles dias o inferno abrirá a sua grande boca e sugará todos eles até que haja terminado o seu fim e destruição; porquanto os pecadores hão de ser devorados pelo Hades na presença dos meus escolhidos.

LVII
   1. Depois destas coisas eu vi um exército de carruagens e aqueles que vinham sobre elas. Eles tomaram os ventos do oriente e do ocidente e seguirão para o sul.
    2. E eis que as suas carruagens provocavam um barulho ensurdecedor, de sorte que enquanto isso acontecia, o Santíssimo o observava desde a sua morada, ao passo que os pilares da terra eram sacudidos desde as suas fundações. O ruído destas carruagens era tão estrepitoso que podia ser ouvido até nas extremidades do céu e da terra, retumbando por todo um dia.
   3. Então todos se lançaram com o rosto em terra e adoraram o Senhor dos Espíritos. Até aqui o fim da segunda parábola.

LVIII
   1. E logo iniciei a minha terceira parábola, a cerca dos justos e dos escolhidos.
   2. Bem-aventurados sois vós, justos e escolhidos, porque grande será a vossa glória.
   3. Os justos resplandecerão como o sol, e os escolhidos hão de herdar a vida eterna. Os dias de sua vida não terão fim, pois são inumeráveis os dias de vida dos santos.
   4. Eles buscarão a luz e a encontrarão perante o Senhor dos Espíritos, porque ali está a paz dos justos em nome do Deus Eterno.
   5. Depois disso, os justos serão instruídos a buscar os segredos da justiça e a herança da fé, porquanto a justiça e a fé fizeram raiar o sol sobre a terra seca para dissipar as trevas e a escuridão para sempre.
   6. Desde então, haverá luz permanente, e ainda que se ponha o sol, as trevas não aparecerão, pois estarão eliminadas para sempre. Assim, haverá a luz eterna do Senhor dos Espíritos; esta é a luz da justiça que permanece diante do Senhor dos Espíritos eternamente.
LIX
     1. Naqueles dias os meus olhos testemunharam os segredos dos raios e dos luminares, bem como os da própria luz, e vi como estas coisas são ordenadas; e estas luzes lançavam raios de bênçãos e também de maldições, segundo a vontade do Senhor dos Espíritos.
    2. Ali aprendi os segredos do trovão quando retumbam no céu com grande estrondo, fazendo-se ouvir o som da sua voz em toda a terra, para a paz e a bênção, ou para a maldição, segundo a vontade do Senhor dos Espíritos.
    3. Depois disso, todos os segredos dos luminares e dos raios de luz me foram revelados. Eles brilharam para mim e me transmitiram a bênção e a satisfação.

LX
   1. No dia quatorze, no sétimo mês do qüinquagésimo ano da vida de Enoque. Eis que numa parábola vi como foi sacudido violentamente o Céu dos céus, e como os santos anjos do Altíssimo em todas as suas miríades de hostes foram tomados de extremo pavor.
   2. Eu vi o Ancião de dias sentado sobre o seu trono de glória, e uma multidão de anjos e de justos estava ao seu redor.
   3. Um grande pavor se apoderou de mim. Meus lombos estremeceram e a minha força esvaiu e caí prostrado como rosto em terra.
   4. Nisso, o arcanjo Miguel enviou outro santo anjo que me pôs de pé, então retornou o meu espírito, porquanto a minha força se tinha ido de mim e eu não era capaz de contemplar àquelas hostes celestiais, nem podia suportar o pavor da presença, nem a maneira com a qual havia sido o Céu sacudido.
   5. O anjo Miguel me disse: Por que ficaste tão perturbado ante a grande visão que vistes? Até ao dia de hoje tem se estendido a misericórdia do Senhor, e Ele com paciência e longanimidade há suportado àqueles que habitam sobre a terra.
   6. Mas quando vier o Dia, e o Poder, e a Punição e o Juízo que o Senhor dos Espíritos tem preparado tanto para aqueles que amam o juízo quanto para os que negam a justiça e a retidão, os quais tomam o seu nome Senhor em vão. Eis que esse Dia vem, e está perto! E para os meus escolhidos haverá um concerto, mas para os pecadores uma visitação e um prestar de contas!
   7. Naquele dia, dois monstros serão separados um do outro. Um monstro fêmea cujo nome é Leviatã, o qual mora nas profundezas do mar.
   8. E o nome do macho é Behemoth, cujo tórax é tão grande que pode ocupar o enorme deserto de Dendain, para o lado do nascimento do sol nas proximidades do Jardim do Éden, onde habitarão os escolhidos e justos. Ali se recolheu o meu bisavô, o sétimo depois de Adão, o primeiro homem que o Senhor dos Espíritos fez.
   9. Então eu pedi àquele anjo que me revelasse o poder daqueles dois monstros, e porque deviam estar separados um do outro, in um para as profundezas do mar e o outro para a sequidão do deserto.
   10. E ele me respondeu e disse: Filho do homem, eis que desejas conhecer o que tem sido mantido em segredo!
   11. Mas veio outro anjo, o qual falou ao anjo que estava comigo e o autorizou a me revelar aquele mistério, esse que é o primeiro e o último no nas alturas do Céu e também debaixo da terra seca, e nos caminhos abissais, e nas extremidades do mundo até aos fundamentos dos céus e às câmaras secretas dos ventos.
    12. Ele me contou como os espíritos são distribuídos, e como são pesados em balanças. E como as fontes e os ventos são contados de acordo com o poder do seu espírito. E o poder dos luminares e da lua, a divisão das estrelas segundo os seus nomes, e como estavam dividas em constelações.
    13. E o trovão, segundo o lugar onde ele termina. E todas as divisões das luzes quando lampejam, e os seus exércitos que obedecem com prontidão.
    14. Porque existem leis que regulam os intervalos entre os trovões e ao som da sua voz; porquanto é impossível separar o raio do trovão, já que as forças que os regem andam juntas.
    15. Porque quando os raios disparam, logo os trovões alçam a voz, e o espírito, ao mesmo tempo, produz um silêncio, e os divide igualmente, de modo que cada um deles é controlado por um freio e retorna ao poder o espírito, o qual o redireciona para todas as regiões da terra.
    16. O espírito do mar é macho e forte, e segundo a força de seu poder, o espírito o controla como que por uma rédea, e semelhantemente o conduz e o espalha através de todas as montanhas da terra.
    17. O espírito da geada é um anjo, e o espírito da saraiva também é um anjo bom.
    18. Devido ao seu poder, o espírito da nevasca está separado, pois possui um espírito em especial, o qual surge como um nevoeiro ao qual chamamos de frio.
    19. E o espírito da neblina não se associa a estes, porque o seu curso é glorioso quer na luz quer na escuridão, quer no inverno quer no verão, pois no seu lugar jaz sempre um anjo.
     20. Quanto ao espírito do orvalho, tem a sua morada nos confins do céu e está conectado com as moradas da chuva. Seu curso é no inverno, no verão e nas nuvens. As nuvens de nevoeiro estão associadas as suas estações.
     21. Assim, quando o espírito da chuva se move desde as suas câmaras os anjos vêm e abrem as câmaras e as trazem para fora. E sendo ela espalhada sobre a face da terra seca ela se une às águas que estão no mundo. E unindo-se às águas que estão sobre a terra...
     22. Porque as águas são para os moradores da terra, pois servem para regar o solo seco segundo a determinação do Altíssimo, cuja morada é no Céu. Portanto, há uma medida prefixada para a chuva e os anjos o sabem bem.
     23. Todas estas coisas, eu vi para além do Jardim da Justiça.
     24. E o anjo da paz que estava comigo me disse: Estes dois monstros foram preparados para o grande dia do Senhor dos Espíritos, e servirão de alimento...
     25. A fim de que a ira do Senhor dos Espíritos não lhes sobrevenha sem motivo, porque farão com que morram os bebês com as suas mães e os jovens juntamente com os seus pais. Depois destas coisas virá o juízo.

CONTINUA...