quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Apocalipse de Elias




CAPÍTULO 1 


  1 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
  
 2 Filho do homem, diz a esse povo: Porque acumulais pecado sobre pecado e provocais a ira do Senhor Deus, que é o vosso Criador? Não ameis ao mundo nem às coisas que nele há, porque o amor do mundo e sua corrupção procedem do diabo.
 3 Lembrai-vos de que o Senhor da Glória e Criador de todas as coisas teve misericórdia de vós, para que não pereçais com essa era.
 4 Por muitas vezes tem o diabo desejado que o sol deixe de brilhar sobre a terra, a fim de que não produza mais os seus frutos. Porque ele quer destruir aos homens tal como o fogo que devora a palha; e como a água do abismo pretende tragá-los.
5 Mas isso é porque o Deus da Glória se apiedou de vós, enviando o seu Filho ao mundo para salvar-vos da condenação.
6   Não recomendou estas coisas a nenhum anjo, arcanjo ou potestade, antes se tornou homem e veio para nos salvar.
7   Porquanto somos seus filho, e Ele é o nosso Pai.
Lembrai-vos de que Ele vos tem preparado coroas e tronos que vos aguardam nos céus. “O Senhor diz: Porque àquele que vencer será dado uma coroa e um trono.
Além do mais, escreverei o meu nome na sua testa, e marcarei a sua destra,e nunca mais sentirá sede ou terá fome;
10 E os filhos da desobediência jamais terão poder sobre ele; os Tronos não lhes baterão as portas, antes com os anjos se alegrarão e rumarão à minha cidade.
11 Mas os pecadores serão envergonhados; os Tronos lhes fecharão o caminho, a fim de que sejam atormentados pelos anjos da morte.
12 Pois no céu não são conhecidos pelos anjos de Deus, a na morada do Altíssimo são estranhos.
13 Por isso, escutem, sábios da terra, e estejam atentos contra os impostores, pois abundarão entre vós no fim dos tempos. Ensinarão coisas que não procedem de Deus, e, abandonando a Lei de Deus, farão do ventre o seu deus, e dirão: “É inútil jejuar; Deus não quer que jejuemos.”
14 Fizeram-se estranhos à aliança divina, e ainda assim julgam-se participantes das gloriosas promessas. Tais homens não se firmam na verdade, portanto, não vos deixeis por eles enganar.
15 Lembrai-vos de que Deus, ao criar os céus, estabeleceu um jejum, a fim de que nós, pela tendência que temos para as coisas más desta vida, não nos deixemos por elas iludir, e é por meio desse jejum que combatemos a chama das paixões pecaminosas.
16 Mas assim nos tem dito o Senhor: “Eis que tenho ordenado um jejum que me agrada.
17 O homem que jejua continuamente jamais incorrerá no pecado da inveja ou na contenda.
18 Portanto, deixai que jejue aquele que é puro. Mas se alguém jejua, não tendo um coração puro, provoca a Deus e aos anjos.
19  Assim fará ele mal à sua alma, acumulando a ira até o dia do juízo.
20 Eu determinei um jejum que é puro ao que são puros de coração e limpos de mãos
21 Os que assim procedem, perdoam pecados, curam enfermidades e expelem os demônios.
22 Sua oração é aceita diante do trono de Deus, como sacrifício de cheiro suave pelos pecados dos transgressores.
23 Por acaso há entre vós algum trabalhador que se dirija ao campo sem levar consigo as suas ferramentas? Ou poderá alguém se alistar para a guerra sem que tome para si uma couraça?
24 Correrá o risco de ser ferido pelo inimigo e ir à morte por haver negligenciado as recomendações do rei?
25 Assim também inútil vos será entrar no lugar santo com um coração oscilante.
26 Se alguém se dirige a Deus em oração e não tem um coração sincero é certo que ainda esteja em trevas e permaneça desconhecido diante dos anjos.
27 Mas se o vosso coração permanece em Deus, então aqueles que são seus vos reconhecem.




CAPÍTULO 2

1  Porque assim diz o Senhor: “Eis que os reis da Assíria, a destruição dos céus e da terra e do que está debaixo da terra, não prevalecerão sobre aqueles que são meus; eles não terão assombro no dia da guerra”.
2  Quando virdes que do Norte surgiu um rei, o qual será chamado rei da Assíria e da injustiça, então virá a guerra sobre o Egito e ali se instalará a tribulação.
3 Haverá lamento sobre a terra, porquanto os vosso filhos vos serão arrebatados.
4  Naquele dia os homens desejarão a morte, mas ela fugirá deles.
5  Então um rei surgirá no Ocidente, e o chamarão de o rei da paz.
6  Ele marchará sobre o mar, rugindo como um leão.
7  Abaterá ao rei da Assíria, e contra o Egito se levantará com guerra, e muito sangue há de ser derramado.
8  Naqueles dias será assinado um enganoso acordo de paz no Egito.
9  Muitos dos santos acreditarão nessa paz, porquanto lhes será dito: “Deus é o Senhor de todos!”
10  Com lisonjas serão exaltados os santos, e Jerusalém há de ser elevada; presentes valiosos lhe serão dados e até o seu templo se beneficiará.
11  Esse rei procederá com astúcia desde o Egito, mas de imediato ninguém o perceberá.
12  Contará todas as religiões que há no mundo e classificará os deuses aos quais elas servem, somará as suas riquezas e depois elegerá a cada um de seus líderes.
13  Ordenará que os cientistas e todos os maiorais da terra sejam levados à capital do mundo, dizendo-lhes: “Agora haverá apenas uma língua!”
14  Então se dirá em todo o mundo: “Paz e contentamento!
15  E eis que aqui vos digo os sinais pelos quais será ele identificado:
16 Ele tem dois filhos que estão à sua direita e à sua esquerda. Aquele que está à sua direita tem a aparência de um demônio e se levantará contra o nome do Senhor.
17 Desse rei surgirão quatro reinos, e aos trinta anos de idade ele subirá ao Egito para construir um santuário.
18 Seu próprio filho se levantará contra ele e o matará; então toda a terra ficará agitada.
19 Naquele dia ele promulgará um decreto em todo mundo, dizen-do: “Agora, devolver-me-eis em dobro todos os presentes e benefícios que o meu pai vos deu!”
20 Fechar-se-ão as portas dos santuários das religiões, suas casas serão confiscadas e seus filhos irão para a prisão.
21 Determinará que se ofereçam sacrifícios abomináveis e provocará calamidade na terra.
22 Surgirá debaixo do sol e da lua, e os líderes religiosos do mundo rasgarão as suas roupas.
23 Ai de vós, cabeças do Egito que existirdes naqueles dias! O vosso tempo já é consumado. A violência feita aos pobres será recobrada de vós, porquanto vossos filhos serão levados como reféns.
24 Naquele dia o Egito se lamentará, porquanto nas suas ruas não mais se ouvirá a voz daquele que compra ou daquele que vende.
25 Os mercadores do Egito se cobrirão de vergonha, ao mesmo tempo em que chorarão os seus habitantes; suplicarão pela morte, mas a morte não lhes virá.
26 Subirão às rochas e se atirarão, dizendo: “Caiam sobre nós!” Mas nem assim morrerão.
27 Naquele, dia duas tribulações sobrevirão ao mundo: Porque o rei ordenará que as mulheres paridas sejam atadas e arrastadas à sua presença, a fim de que dêem a mamar às serpentes, para que o sangue seja espremido de seus peitos para servirem de veneno às suas flechas.
 28 Não haverá muitos soldados para a guerra, por isso se ordenará que meninos de doze anos sejam alistados, a fim de que aprendam a usar o arco e a flecha.
29 Nesse tempo se lamentarão as parteiras da terra, e a mulher que tem filhos elevará os olhos ao céu, dizendo: “Por que me sentei na cadeira de parir e trouxe filhos ao mundo?”
30 Mas as estéreis e as virgens se alegrarão, dizendo “Agora compreendemos que é hora de nos alegramos por não havermos posto filhos no mundo; nossos filhos estão no céu.”
31 Naquele tempo se levantarão três reis na Pérsia, eles tomarão aos judeus que estão no Egito e os transportarão para Jerusalém e ali permanecerão.
32 Mas se ouvirdes que há segurança em Jerusalém, então ó sacerdotes, rasgai as vossas roupas, pois terá chegado o tempo em que o Filho da perdição há de se manifestar.
33 Esse homem ímpio se revelará no lugar santo. Fugirão os reis da Pérsia e da Assíria; haverá uma guerra de quatro reinos contra três.
34 Três anos permanecerão ali, até que possam botar as mãos nos tesouros do templo.
35 Naquele, dia o sangue correrá desde Kôs até Mênfis. O Nilo se converterá em sangue, e por três dias ninguém poderá beber das suas águas.
36 Ai daqueles que habitam no Egito!
37 Naquele tempo, um rei aparecerá naquela que é chamada de “Cidade do Sol”. A terra se lamentará ao ver que ele se dirige para Mênfis.
38 No sexto ano dos reis da Pérsia, ele armará uma cilada em Mênfis; aos reis da Assíria matará. Os persas, porém, se vingarão na terra.
39 Ordenará que todos os gentios e ateus sejam executados, e que sejam saqueados os templos e que matem aos sacerdotes; mas ao templo de Jerusalém beneficiará.
40 Dois presentes dará à casa do Senhor, e dirá: ”Deus é um só!”
41 O mundo inteiro adorará aos persas. Por esse motivo, aqueles que tiverem escapado da destruição, hão de dizer: “Verdadeiramente esse é o rei da justiça, o qual Deus nos enviou, a fim de que a terra não seja convertida em um deserto.”
42 Durante três anos e meio nada exigirá dos homens e a terra se encherá de todas as riquezas.
43 Então os que estiverem vivos irão aos cemitérios e dirão aos seus mortos: “Erguei-vos, e vinde participar desta paz!”


CAPÍTULO 3

1 Mas ao quarto ano desse rei, aparecerá o Filho da Impiedade, e dirá:”Eu Sou o Cristo!” Mas estará mentindo; portanto, não o creiais.
2 Porque quando vier o Cristo, há de aparecer como uma pomba, e rodeado por uma coroa de pombas, e descerá sobre as nuvens do céu precedido pelo maravilhoso sinal da cruz.
3 O mundo inteiro o contemplará, pois surgirá como o sol, pelo que será visto desde o Oriente até ao Ocidente. Eis que virá, e todos os seus anjos com Ele.
4 Nesse tempo estará o Iníquo instalado no lugar santo. Ele dirá ao sol: “Põe-te! E o sol se porá. Se disser ao sol: “Resplandece!”Eis que ele resplandecerá. E se disser: “Apaga-te!”Eis que ele se apagará.
5 E se à lua disser: “Em sangue te converterás!” Ela imediatamente o fará.
6 Eis que poderá elevar-se até os astros, e sobre as águas caminhar como se fora em terra seca.
7 Por meio de seus milagres os paralíticos andarão, os surdos ouvirão, os mudos falarão e os cegos poderão enxergar.
8 Purificará aos leprosos e as enfermidades curará, e até aos demônios ele expulsará.
9 Eis que fará muitos milagres e prodígios na presença dos homens; poderá imitar o Messias em tudo, a não ser pelo fato de não possuir o poder de ressuscitar os mortos.
10 Nisto sabereis que ele é o Filho da Impiedade, pois que não tem o poder de conceder a vida.
11 Eis que agora vos direi quais são os sinais que o identificam, para que possais reconhecê-lo:
12 Ele é um homem pálido com as pernas finas, é alto e tem uma grande mecha cinzenta na parte frontal da cabeça; suas sobrancelhas chegam às orelhas, e no dorso de sua mão há uma mancha de lepra.
13 Tem o poder de se transfigurar diante dos homens; ora poderá ser um velho, ora poderá parecer um menino. Todas as suas características poderão ser alteradas, menos a mecha cinzenta e as sobrancelhas.
14  Nisto sabereis que ele é o Filho da Perdição.


CAPÍTULO 4

1 Uma jovem de nome Tabita ficará sabendo que um homem imoral terá se apresentado no templo. Então ela se vestirá com uma roupa de linho e o perseguirá na Judéia.
2 Ela o encontrará no caminho de Jerusalém e o acusará, dizendo: “Homem despudorado e Filho da Perdição. Tu és o inimigo de todos os santos!”
3 Então ele se voltará contra a virgem e a perseguirá até ao Ocidente, e numa tarde a matará e beberá o seu sangue, derramando-o no templo para que sirva de remédio às pessoas.
4 Mas ao amanhecer, ela ressuscitará e outra vez o condenará, dizendo: “Ah, homem imoral! Tu não tens nenhum poder sobre o meu corpo ou sobre a minha alma, pois sirvo ao meu Senhor.”
5  Ademais, ela seguirá dizendo: “Tu derramaste meu sangue no templo e ele se fez cura para os homens.”
6  Mas Elias e Enoque saberão que o Imoral terá aparecido no templo, pelo que descerão para combatê-lo, e dirão:
7 “Não te envergonhas de te fazeres passar por santo, tu que és um profano? Tu és inimigo tanto dos que habitam no céu como dos que vivem na terra.
8 Sempre foste inimigo dos tronos e de todos os anjos; tu és profano. Foste uma estrela da alva, mas caíste; tua morada abandonaste e a tua ordem deixaste pare te tornares em trevas.
9 És um diabo, e nem assim te envergonhas de entrar na casa de Deus!”
10 O homem impudico ouvirá estas coisas e ficará muito furioso. Ele entrará em combate com os profetas no centro comercial da grande cidade. Durante três horas combaterão, e os profetas serão derrotados e cairão mortos.
11 Seus corpos estarão expostos como troféus no centro comercial da grande cidade durante três dias e meio para que todos os homens os vejam.
12 Mas ao quarto dia eles ressuscitarão, e se levantarão contra o Iníquo, dizendo: “Homem imoral e Filho da Perdição! Não te envergonhas de fazeres desviar o povo escolhido? Não entendeste ainda que a nossa vida está no Senhor, e que podemos resistir-te a cada vez que disseres: “Eu dominarei sobre todos?”
13 Assim, toda a cidade se ajuntará ao redor das duas testemunhas. Nesse dia eles subirão ao céu, brilhando como estrelas aos olhos de todos, e todos os povos os verão.
14 O Homem do pecado não terá poder contra eles. Então se voltará furioso contra as nações e contra o povo cometerá grande pecado.
15 Então os líderes religiosos do mundo serão perseguidos, e juntamente com seus fiéis hão de ser conduzidos à sua presença. Ele os matará e ordenará que lhes arranquem os olhos com farpas de ferro.
16 Depois disso ele lhes arrancará o couro cabeludo, bem como todas as unhas; uma por uma as arrancará, e ainda determinará a que lhes seja derramado vinagre e barrela em suas narinas.
17 Aqueles que não quiserem suportar as torturas desse rei terão de ajuntar as suas riquezas e fugir pelos vaus dos rios até ao deserto. Mas se acontecer de morrerem, estarão como os que dormem. Porém, o Senhor é quem receberá as suas almas.
18 Suas carnes se tornarão tão duras quanto as rochas, de modo que nem as aves ou as feras da terra as poderão comer até que venha o grande dia do juízo.
19 Então eles se levantarão e terão o seu lugar de descanso; mas uma coisa deve ser dita: a estes não será concedido que reinem com o Cordeiro, pois apenas aqueles que derem a vida pela Sua causa é que poderão tomar assento à sua destra, como Ele mesmo o disse:
20 “Eles venceram ao Filho da Iniqüidade, e por isso receberão tronos e coroas”.
21 Naquele dia hão de ser escolhidos sessenta homens perfeitos, aptos para usar a armadura de Deus. Eles seguirão para Jerusalém a combater ao Iníquo, dizendo: “Eis que tens realizados todos os milagres que os profetas operaram, mas não podes ressuscitar aos mortos, já que não tens poder para dar a vida. Nisto sabemos que és o Filho do Diabo.”
22 O Imoral ouvirá isso e ficará furioso. Ele ordenará que se apanhem a estes homens justos e os amarrem para que sejam queimados sobre o altar.



CAPÍTULO 5

1  Quando isso acontecer, muitos ficarão surpresos e reconhecerão seus erros, então exclamarão: “Ele não é o nosso Messias! Eis que o Ungido de Deus jamais assassinaria aos justos, nem perseguiria aos homens piedosos, antes tentaria convertê-los por meio de seus milagres”.
2  Mas o Messias terá misericórdia deles e do céu enviará quatro mil e seiscentos anjos, sendo que cada um deles terá seis asas. A voz de seus cânticos faz estremecer a terra quando bendizem ao nome do Senhor.
3 Todos aqueles que tiverem o nome do Ungido escrito em suas testas, e a marca do penhor em suas destras, sejam eles grandes ou pequenos, hão de ser amparados sob suas asas durante aqueles dias de ira.
4 Gabriel e Uriel formarão uma coluna de luz para conduzi-los pela cidade de Deus. Eles lhes darão a comer do fruto da árvore da vida e lhes dará vestes brancas; sim, os anjos os protegerão. Nunca mais terão sede ou fome, e o Filho da Perdição não terá poder sobre eles.
5 Nesse tempo serão sacudidos os fundamentos da terra, pois o espírito da paz se ausentará do mundo.
6 As árvores serão arrancadas pelas raízes, todos os animais selvagens e todo o gado serão mortos mediante a destruição que há de vir, e até as aves do céu cairão mortas.
7 Haverá grande seca na terra e até o mar ficará minguado.
8 Os moradores da terra se lamentarão e recorrerão ao Iníquo, di-zendo-lhe: “Por que fizeste-nos esse mal em nos dizer que eras o Messias de Deus, quando na realidade és um demônio?”
9Como poderá salvar-nos, se não podes salvar a ti mesmo? Eis que operastes grandes milagres aos nossos olhos e nos fizeste desviar de Deus, e agora, quão desgraçados nos tornamos!”
10 “Desde agora morreremos de fome. Onde haverá algum sinal de qualquer homem justo para que o busquemos? Ou então, onde encontraremos um ensinador que nos possa orientar?”
11 “Fomos desobedientes a Deus e já não podemos escapar da sua ira.”
12 “Temos perfurado no mar e não encontras água; onde antes havia rios cavamos três metros, mas nem assim obtivemos êxito”.
13 Então o Iníquo exclamará, e chorando, dirá: “Ai de mim, pois o meu tempo se esgotou! Logo eu que na minha arrogância havia dito que reinaria para sempre!”
14 “Eis que os meus anos se passaram como meses, e os meus dias se foram como o pó que o vento espalha. Vêde que como vós, eu também pereço!”
15 “Persegui-os até o deserto; lançai mão desses desordeiros e matai-os. Se matardes aos santos, a terra voltará a dar os seus frutos; foi por causa deles que o sol deixou de brilhar e sobre a terra já não cai o orvalho.”
16 Os moradores da terra então lhe dirão: “Por tua causa nos tornamos inimigos de Deus, agora, se tens algum poder, sobe tu mesmo e persegue-os”.
17 Ele então usará asas de fogo e voará em perseguição aos santos e outra vez entrará em luta com eles.
18 Mas os anjos pelejarão pelos santos, e haverá uma grande bata-lha de espadas. A ira se acenderá desde os céus, e um fogo se arderá na terra. Todos os pecadores e até mesmo os diabos serão consumidos como palha.
19 O juízo de Deus é justo.
20 Nesse tempo os montes e a terra darão a sua voz; os caminhos perguntarão entre si: “Acaso ouviste algum som de passos humanos que não sejam de alguém que não seguia para o juízo do Filho de Deus?”
21 Os pecados de cada um hão de ser manifestos nos mesmos lugares em que foram praticados, quer seja às claras, quer seja às escuras.
22 Todos os homens santos e retos contemplarão a condenação dos pecadores, principalmente daqueles que os afligiram.
23 Estes pecadores também verão a recompensa daqueles que servem a Deus, pois de tudo quanto pedirem ser-lhe-á dado multiplicadamente pelo Senhor.
24 Os céus e a terra serão julgados pelo Senhor. Ele julgará aos pastores e requererá o seu rebanho.
25 Elias e Enoque outra vez aparecerão; agora eles abandonam seus corpos corruptíveis e assumem a forma glorificada.
26 Eles combaterão o Homem do pecado e o destruirão antes que abra a boca, pois como o ferro que é brando ao fogo, ele também se derreterá na presença de seus corpos agora gloriosos. Ele morrerá se contorcendo qual serpente que já não pode respirar.
27 Os dois profetas lhe dirão: “Agora hás de perecer, tu e os reis da terra que te deram apoio, pois terminados são os teus dias!”
28 Estes serão lançados no poço do abismo e de lá não sairão, pois estará lacrado com o selo de Deus.
29 Então aparecerá no céu o Messias, e todos os seus santos virão com Ele. Lançará fogo a terra e ela arderá durante mil anos, pois a presença dos pecadores a contaminou e precisa ser purificada.
30 Mas o Senhor fará um novo céu e uma nova terra, onde não há-verá demônios nem morte.

31 Os santos reinarão com o Senhor; poderão subir e desce na companhia dos anjos. Esse reino durará mil anos.

A Profecia de Balaão - Parte II





Texto Bíblico Básico:

“Também os filhos de Israel mataram a espada a Balaão, filho de Beor, o adivinho, como os mais que por eles foram mortos” (Josué 13. 22).

Este é um dentre os muitos textos bíblicos que nos revelam a verdadeira origem do profetismo de Balaão. Ele era um adivinho, oriundo da Mesopotâmia e mui provavelmente herdara do pai o ofício da adivinhação. O fato de o rei dos moabitas ter ido buscá-lo tão longe demonstra que ele se tornara famoso por meio dos presságios que fazia.
No mundo antigo a importância do adivinho ia muito além da possibilidade antecipar o futuro de pessoas e nações, pois ele não era um profeta no sentido bíblico da palavra, mas um sortílego cujas habilidades podiam ser contratadas por qualquer um que as pudesse pagar. O verdadeiro poder dos da classe de Balaão consistia mesmo era na capacidade que eles (presumivelmente) tinham de mudar o destino e a sorte dos seus clientes.

Havia diferentes formas de se perscrutar o futuro, mas ao que tudo indica, o método de Balaão era a leitura das entranhas dos animais, porém, salta do texto bíblico a impressão de que ele também apelava para ervas ou poções alucinógenas que o levavam ao transe através do qual podia divisar o desconhecido. Em todo o caso, a Lei de Deus proibia a existência e a atuação de adivinhos entre o povo escolhido.

Tertuliano e Jerônimo são contados entres os que advogaram a causa de Balaão e deram testemunho de que no começo ele havia sido um verdadeiro profeta de Jeová. Quanto a Josefo, o grande historiador dos hebreus, também estava tentado a crer que o filho de Beor possuía genuinidade profética, no entanto, o escopo geral da história de Balaão e todo o seu modus operandi testificam contra ele. Mas acima de tudo, temos a garantia bíblica de que esse mercenário jamais poderia entrar para o rol dos genuínos pregadores do Senhor. E a principal razão pela qual ele não pode ser classificado como tal advém de sua própria genealogia. Consultemos juntos e descobriremos que todos os profetas da Bíblia procederam de Israel ou no mínimo tinham ascendência patriarcal.

É verdade que a literatura sapiencial do Antigo Testamento admitiu quatro ou cinco autores que apesar de terem sido verdadeiros servos de Jeová, não eram procedentes da linhagem de Israel, mas evidentemente que isso não aconteceu no campo da profecia, pois as lideranças judaicas usavam desconfiar até dos profetas que aparentemente não haviam sido autorizados a falar em nome do Senhor. Confira essa informação em Números 11. 24 – 29.

Apesar de tudo, existem pelo menos três pontos da história de Balaão que me provocam admiração: (1) Ele possuía conhecimento do verdadeiro nome do Deus de Israel; algo que o próprio Abraão havia ignorado. Leia Êxodo 6. 3. (2) Ele era conhecedor das promessas que Jeová havia feito a Abraão, a Isaque e a Jacó. (3) Ele conseguiu atrair o interesse do Altíssimo para si.

Tais prerrogativas tornam Balaão em um indivíduo digno de ser investigado. Porém, a fim de não alongarmos esse discurso, iremos nos ocupar apenas com a primeira parte da profecia.

Que a visão profética de Balaão era genuína não irei mais discutir, entretanto, há uma justiça que preciso fazer às suspeitas levantadas por Steudel, porquanto a mim também pareça que o prognosticador da Mesopotâmia tenha exagerado um pouco na forma de vaticinar, primeiro porque ele se coloca como um autêntico porta-voz de Jeová, e como alguém que possui o mais elevado conhecimento do Deus de Israel. Em segundo lugar, já naquele tempo o Nome de Jeová, dantes desconhecido de Abraão, de Isaque e de Jacó (bem como do rei do Egito: Êxodo 5. 1 – 3), passara a ser temido até em longínquas terras. Jetro, Hobabe, Raabe e os gibeonitas são exemplos disso. Logo não há porque duvidarmos que um astuto feiticeiro da Mesopotâmia tenha se aproveitado do mesmo trunfo para mais impressionar o rei de Moabe.

Quanto à sua profecia, já cravei que é genuína, mas não evitarei dizer que possui uma aparência de embuste. Josefo nos dá provas de que a fama e o respeito de patriarca Abraão se tornaram notáveis no mundo antigo, e, Balaão, sendo natural da adjacente terra do nosso pai na fé, deve ter-se feito sabedor da sua história. Observemos ainda que o mesmo Abraão e o mais da sua parentela haviam fixado residência na Mesopotâmia de Balaão. Tendo estas coisas em mente iremos destacar que parte da profecia era bem mais antiga que o profeta.


Em Números 23. 10 ele diz:
Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel?”

Mas em Gênesis 13. 16 já se dizia:
E farei a tua semente como o pó da terra; de maneira que se alguém puder contar o pó da terra, também a tua semente será contada”.

Balaão diz, em Números 24. 9:
“Encurvou-se, e deitou-se como leão, e como uma leoa; quem o despertará?”

Agora leia Gênesis 49. 9:
“Judá é um leãozinho, da presa subiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como um leão, e como um leão velho; quem o despertará?”

A segunda metade de Números 24. 9:
“Bendito os que te abençoarem, e maldito os que te amaldiçoarem”.

E Gênesis 12. 3:
“E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”.

Por estas e outras razões não uso argumentar contra aqueles que desconfiam do oportunismo de Balaão. Deus realmente lhe falou, mas ele soube exagerar na embalagem para melhor vender o seu produto. Agora, há um aspecto escatológico nessa profecia com o qual desejo me ocupar no momento mais oportuno.