sábado, 28 de dezembro de 2013

Apocalipse de Paulo - Parte II

                                      

                                       Parte II

 
11 – E depois disso eu vi um dos seres espirituais que estavam ao meu lado, e ele me tomou em espírito e me levou ao Terceiro Céu. Então ele me disse: Segue-me, e eu te mostrarei o lugar para onde são trazidos os justos depois que eles morrem. Depois te levarei ao abismo e te mostrarei as almas dos pecadores e o tipo de lugar ao qual são conduzidos depois que eles morrem.
Então acompanhei o anjo e ele me levou ao Céu e me mostrou o firmamento e todos as suas potestades, e a negligência a qual engana  e seduz os corações dos homens, e o espírito da calúnia, e o espírito da fornicação, e o espírito da ira, e o espírito da presunção, todos eles estava ali. Os principados  do mal estavam ali. Eu os vi debaixo do firmamento do Céu.

E novamente olhei e vi anjos cruéis, espíritos vorazes; suas faces eram furiosas e das suas bocas sobressaíam os dentes; seus olhos flamejavam como a estrela da manhã que brilha no oriente, e dos seus cabelos e das suas bocas saíam faíscas de fogo. Então perguntei ao anjo que estava comigo: Quem são estes? E o anjo me respondeu: Estes são indicados para as almas dos ímpios quando eles mais precisam, pois não crêm que o Senhor seja o ajudador daqueles que Nele confiam.

12 – Nisso olhei para o alto e vi outros anjos cujas faces resplandeciam como o Sol; eles usavam grinaldas de ouro e tinham palmas em suas mãos e também possuíam o sinal de Deus. E eles usavam vestes nas quais estava escrito o nome do Filho de Deus; cheios de bondade e piedade. Então falei ao anjo que me conduzia: E estes, quem são? E por que possuem tanta beleza e piedade?

E o anjo me respondeu: Estes são os mensageiros da justiça. Eles são os que conduzem as almas dos justos na hora de sua maior necessidade, pois aceitaram o Senhor como ajudador das suas almas. Então eu lhe falei: Precisam os justos e os ímpios igualmente apresentarem as suas testemunhas depois que eles  morrem?  
que o anjo me respondeu: Não há nenhum meio pelo qual o homem possa escapar de Deus, todavia, os justos têm um santo Ajudador, pelo que não encontrarão problemas quando tiverem de comparecer perante Deus.

13 – Então novamente falei ao anjo: Eu desejo ver as almas dos justos e dos pecadores no momento em que elas são tiradas do mundo. Então o anjo me falou: Olhe para a Terra lá em baixo.
 E eu fiz como ele me ordenou e vi que o mundo inteiro era como nada perante a minha vista. E vi  quão banais são os filhos dos homens. Eu estava bastante admirado, pelo que falei ao anjo: É esta a grandeza humana?
 E ele me respondeu, dizendo: Sim, e esta é a sua vida desde a manhã até ao entardecer.
Então olhei novamente e vi uma grande nuvem de fogo que ia cobrindo toda a face da Terra, e disse ao anjo: O que é isto, senhor?  E ele me falou: Esta é a grande injustiça que vem sendo trabalhada para levar os homens à destruição.

14 – Ao oivir isso, eu suspirei e chorei; e falei ao anjo: Gostaria de esperar para ver as almas dos justos e as almas dos pecadores a saber que caminho elas tomam depois que deixam o corpo. O anjo me falou: Olhe outra vez para a Terra lá em baixo. Então olhei e vi toda a vastidão do mundo, e eis que os homens eram como nada perante os meus olhos. E continuei a obervar até que descobri um homem a um canto da Terra.

Então o anjo me falou: Este homem que vês é um justo. Eu continuei a olhar e vi todos os feitos que esse homem havia praticado em nome de Deus; e todos os seus desejos, os que ele se lembrava e os que ele já havia se esquecido; tudo estava perante ele no momento em que a sua alma abandonou o corpo. Eu notei que os justos prosperavam e encontravam refrigério nessa hora, e que tão logo eles deixavam este mundo os anjos do bem e os anjos do mal vinham estar juntamente ao lado deles.

Eu via todos eles, porém os anjos do mal não tinham nehuma autoridade sobre os justos, mas os santos anjos, sim, estes podiam conduzir as suas almas depois que elas abandonavam seus corpos. Eles apresentavam estas almas, dizendo: Alma, toma conhecimento do corpo ao qual tu deixaste, porque no dia da ressurreição deverás retornar a este mesmo corpo a fim de que recebas o que foi prometido aos justos.

 Então eles recebem a alma que deixou o corpo e a osculam como se fossem velhos conhecidos, e dizem-lhe: Eis que cumpriste a vontade de Deus durante o tempo em que estiveste no mundo, portanto, sê de um bom coração.

E o anjo que a assistia a cada dia veio encontrá-la, e disse-lhe: Sê de um bom coração, pois afirmo que me alegro sobre ti por haveres feito a vontade de Deus sobre a Terra. E eu mesmo tenho reportado quais têm sido as tuas obras.
 E do mesmo modo o espírito avançou para encontrá-la, e disse: Alma, não temas nem te perturbes, pois hás de ir a um lugar ao qual jamais conheceste, e eu serei o teu ajudador, visto que encontrei em ti um lugar de refrigério enquanto estive contigo sobre a Terra.

Então seu espírito se encheu de força e o anjo o tomou e o elevou ao Céu. Nisso o anjo lhe falou: Eis que a ti virão os espíritos do mal que povoam as regiões celestiais. São esíritos do engano que hão de dizer-te: Alma, que fizeste para mereceres o Céu? Espera, pois veremos se em ti não há alguma coisa de nós.

Assim, a alma ficou detida ali, pois houve uma grande luta entre os anjos do bem e os anjos do mal. Porém, quando os espíritos do engano examinaram aquela alma, eis que gritaram com forte voz: Eis que não encontramos nada de nós em ti! E além do mais, todos os anjos e espíritos saíram em teu socorro e não permitem que nos apossemos de ti, portanto estás livre para passares de nós.

Mas em seguida veio outro espírito, um espírito de calúnia e um espírito de fornicação, e eis que ficaram parados diante daquela alma. E quando a viram, choraram e disseram: Como puderam arrebatar esta alma das nossas mãos? Ela deve ter cumprido a vontade de Deus sobre a Terra e por isso os seus anjos a ajudam, permitindo que passe por nós sem ser incomodada.

Então todos as potestades do mal saíram a encontrá-la, mas não puderam evitar que ela subisse, pois não encontraram nenhum dos seus defeito sobre ela. Pelo que rangiam os seus dentes contra essa alma, dizendo: Como pudeste escapar de nós?

 Nisso o anjo que a conduzia lhes respondeu:  Tornai-vos em confusão, pois usastes de toda a vossa astúcia para arrastá-la ao mal; vós a tentaste de todas as formas enquanto esteve no mundo, mas ela não quis dar-vos ouvidos.

Então ouvi a voz de miríades de miríades de santos anjos que diziam: Alegra-te e exulta, ó alma, sê forte e não temas coisas alguma. E eles estavam muito admirados que aquela alma tivesse sustentado o sinal do Deus Vivo. Assim eles a econrajavam e chamavam-na bem-aventurada e diziam: Muito nos alegramos em ti, pois fizeste a vontade do nosso Deus.

Então eles mesmos a conduziram para que pudesse adorar a Deus em sua presença. E tão logo eles cessaram de adorar, eis que veio Miguel e todas as hostes de anjos, e se prostraram para apresentar a alma, dizendo: Este é o Deus de todos, o qual os fez a sua imagem e semelhança.
Nisso apareceu um anjo que se adiantou a dizer: Senhor, lembra-te dos seus feitos, pois esta é  a alma cujos feitos te foram reportados a cada dia, agindo segundo os teus juízos.

 E do mesmo modo outro espírito dizia: Eu sou o espírito da vivificação que lhe dava o fôlego. Eu tive refrigério enquanto habitei o seu corpo, de modo que pude me comportar segundo os teus santos preceitos.

Então se ouviu a grande voz de Deus que dizia: Assim como esta alma não me fez agravo, Eu também não a agravarei; ela usou de compaixão, então Eu serei compassivo com ela. Deixai então que Miguel, o anjo do concerto a conduza ao Paraíso da felicidade, a fim de que possa permanecer ali até ao dia da ressurreição.

Então escutei a voz de milhares de anjos, arcanjos e querubins, e os vinte e quatro anciãos que entoavam hinos a Deus, dizendo: Justo és tu, Senhor, e justos sãos os teus julgamentos. Em Ti não há aceitação de pessoas, pois retribuis aos homens segundo os seus feitos merecem.

Depois destas coisas o anjo me falou: Tens tu crido e compreendido tudo o que vos acontece depois que a alma abandona o corpo, e que e que Ele vos assiste nesta hora de necessidade?  E eu lhe respondi: Sim, senhor.
Continua...





domingo, 22 de dezembro de 2013

Os Oráculos Sibilinos







Os Oráculos Sibilinos

O meu sincero desejo era traduzir e publicar gratuitamente na internet uma edição integral de Os Oráculos Sibilinos, porém, a obra é extensa e de uma linguagem realmente difícil de ser compreendida e traduzida com fidelidade, e ainda que não o fosse, eu jamais poderia levar o empreendimento a cabo, pois as minhas ocupações são muitas e não sobraria tempo para me dedicar a esta tarefa.
     
    Decidi então presentear os meus leitores com uma edição condensada, publicando apenas os textos que compõem àquilo que os especialistas usam chamar de A Sibila Cristã. Trata-se de linhas e versos que os eruditos dizem haver sido produzidos por judeus e cristãos, acrescentados aos oráculos originais com o fim de responderem às críticas feitas por pensadores do paganismo greco-romano.
       A acusação que tem tudo para ser verdadeira é muito antiga, porém, a defesa também o é, e mesmo que ficasse comprovado que os primeiros cristãos não adulteraram as profecias das sibilas, uma fustigante questão pairaria no ar: Por que os santos pais do cristianismo primitivo admitiram estes versos como sendo verdadeiras profecias e lhe conferiram a mesma autoridade que repousava sobre as Escrituras Sagradas?

       Não pretendo responder a essa questão, mas para que o meu trabalho não induza o leitor à interpretações precipitadas, hei preparado uma introdução, buscando com isso familiarizá-lo com o assunto e desta maneira permitir que tire as suas próprias conclusões.

       Se me perguntam qual a minha opinião sobre os Oráculos Sibilinos, repondo apenas que sou um cristão conservador; aliás, o mais conservador de todos, porquanto não conservo as convenções de uma hierarquia religiosa nem me prendo aos temporais  interesses da minha própria denominação. Eu conservo a fé apostólica e não procuro adaptá-la às necessidades intelectuais da época em que vivo.

       A Bíblia com muita propriedade afirma que apenas Deus possui onisciência, portanto, apenas Ele tem o poder de desvelar o futuro da humanidade. Todavia, a palavra futuro nesse particular pode possuir um sentido diverso do usual, e, por outro lado, são abundantes e até certo ponto dignos de crédito os testemunhos da História em favor da autenticidade e da fidelidade de algumas predições sibilinas, o que nos obriga a darmos “o braço a torcer” e cogitar que às vezes é possível prever o futuro sem a devida autorização do Altíssimo. Pensemos por exemplo na pitonisa que previu a morte de Saul e Jônatas e também naquela moça que fazia oráculos na cidade de Filipos perante o apóstolo Paulo.

       E mais. Quem somos nós para colocarmos limites ao poder de Deus? Não nos esqueçamos jamais que foi o Deus dos hebreus quem derramou o Espírito Santo sobre Balaão, um famoso feiticeiro do mundo antigo e o autorizou a profetizar o futuro de Israel numa época em que o ministério profético ainda engatinhava entre as tendas de Jacó. 

       Mas para sintetizar a minha tão prolixa resposta afirmarei que não me impressionam  nem  interessam as origens ou a fidelidade dos Oráculos Sibilinos, porque procuro examiná-los sob o ponto de vista de um antropólogo, reconhecendo-lhe o valor e a importância que tiveram para a formação do pensamento social e religioso das civilizações antigas, principalmente se estas civilizações incluem o mundo greco-romano e a cultura judaico-cristã. Não creio que devam ser estudados segundo a perspectiva da teologia; eles até podem nos convidar à expansão do pensamento, mas não devem ditar os parâmetros. Porém, eu também não pretendo direcionar os passos do leitor para qualquer destes rumos. Vamos então à introdução de Os Oráculos Sibilinos.

       A Mitologia – irmã mais velha da verdadeira História, estabelece as nascentes da profecia sibilina já na era antediluviana. Enoque, o primeiro profeta bíblico, teria uma irmã que fazia previsão oracular, e assim também a esposa do patriarca Noé daria continuidade ao ofício depois que as águas do dilúvio esmaecessem e arca enfim repousasse sobre a Cordilheira do Ararat.

        Do ponto de vista histórico, os Oráculos Sibilinos apareceram pela primeira vez na Pérsia, podendo ter então firmado as suas raízes no solo original do zoroastrismo.

       Reverenciados desde sempre, estes oráculos eram transmitidos sempre por alguém do sexo feminino e apesar de haver existido uma infinidade de pitonisas em todas as partes do mundo antigo, apenas dez delas conseguiram galgar total respeito. Afirma-se que a primeira pitonisa surgiu na Pérsia; a segunda veio da Líbia; a terceira foi o famoso Oráculo de Delfos; a quarta foi a Cimeriana; a quinta foi Eritéia, também conhecida como a Babilônica; a sexta era a Samiana; a sétima e mais reverenciada de todas foi a sibila de Cumas, igualmente conhecida como Almatéia; a oitava apareceu no Helesponto; a nona vaticinou na Frigia, atual Turquia; a décima foi a Tiburina, também chamada de Albunéia.

       Até hoje há quem diga que a palavra sibila seja um nome próprio. Outros há que prefiram associar o termo ao suposto chiado que a sibila fazia quando entrava em transe antes de profetizar, mas também existem aqueles que imaginam que essa palavra tem a ver com o rugido dos ventos à entrada da caverna onde a pítia podia ser consultada. Porém, Varro e Lactâncio nos dão uma explicação verdadeiramente convincente. De acordo com eles, a palavra sibila vem da contração de dois termos do grego antigo: zeus – deus + boule – conselho. A pronúncia dos antigos diferia da nossa, portanto, não diziam theous zeus, mas sios; também não diziam boule, mas bile, daí: sibila, ou conselho de deus.

        Oráculos Sibilinos eram compostos de quinze livros e vários fragmentos. Destes quinze livros, três se perderam para sempre. Conta-se que Almatéia, a reverenciada pitonisa de Cumas, apresentou os livros sibilinos ao rei Tarquínio Prisco de Roma, exigindo por eles a fantástica soma de trezentas moedas de ouro, mas o rei, julgando que estivesse louca, riu-se da mulher, que em resposta destruiu três dos livros na sua presença. E outra vez lhe apresentou a oferta: trezentas moedas de ouro pelos livros que restaram. 

        Como na primeira vez, Tarquínio preferiu acreditar que Almatéia estivesse louca e isso lhe custou outros três livros, pois a pitonisa os destruiu sem pestanejar, deixando bem claro que se o rei não a atendesse todos os escritos sagrados restantes teriam o mesmo fim. Tarquínio enfim entendeu que ele seria o verdadeiro louco naquela sala se permitisse à pitonisa destruir todas aquelas preciosidades na sua presença. Então ordenou que lhe pesassem o ouro e recebeu do Oráculo os livros que sobreviveram.

        A mais antiga versão sobre o Oráculo de Cumas reza que o deus Apolo havia se enamorado de Almatéia e sugeriu que lhe pedisse qualquer coisa que desejasse. A moça teria tomado um punhado de areia em uma das mãos e pedido que os seus dias fossem tantos quantos aqueles grãos de pó. Ele concedeu o desejo da fêmea, mas Almatéia negou-lhe o seu amor. Infelizmente, a pitonisa havia pedido apenas vida longa e não a juventude eterna. Sobreveio-lhe então a vingança de Apolo que a castigou com uma longa e enfadonha velhice. Diz-se que estava com setecentos anos de idade quando chegou à Itália acompanhada do herói Enéas. Ali se instalou em uma caverna perto de Nápoles e continuou a profetizar o destino de indivíduos, cidades e reinos.

       Os oráculos de nove sibilas podiam ser lidos e cantados por qualquer indivíduo, mas os versos da pitonisa de Cumas eram mantidos na mais alta estima e apenas o Quindemciviri (uma escola composta de quinze sacerdotes) é que podia consultá-los. Tais livros eram tão reverenciados que praticamente nenhuma decisão importante devia ser tomada pelo governo de Roma sem a sua prévia consulta. Mas por volta do ano 80 a.C. o Capitólio romano sofreu um incêndio e os textos originais de Os Oráculos Sibilinos se perderam. Uma nova compilação foi ordenada a partir de documentos existentes na Ásia Menor, mas já a esse tempo os livros haviam sido corrompidos pela influência alheia.

       A culpa pela corrupção dos escritos sibilinos recaiu principalmente sobre Aristóbulo, um judeu-alexandrino que viveu na corte de Ptolomeu VII por volta do ano 160 a.C. Aristóbulo alegava que a magna literatura da Grécia estava em dívida com a inspiração judaica. Ele queria convencer o paganismo acerca do zelo divino em prol de Israel e para tanto teria apelado para o prestígio que os Oráculos Sibilinos desfrutavam em todo o mundo helênico. Antes disso, ele teria adulterado importantes obras de autores clássicos, incluído nelas vários elementos da fé judaica e até citações dos profetas de Israel. Daí seria apenas um passo até criar a nova edição dos versos sibilinos, agora totalmente impregnada de pensamentos e sentimentos peculiares à religião de seus ancestrais.

       Se esse foi de fato o propósito de Aristóbulo, pode-se dizer que ele obteve o melhor dos êxitos, pois os Oráculos Sibilinos caíram imediatamente na graça do povo judeu, contribuindo em muito para o desenvolvimento religioso de Israel durante o período interbíblico. Na opinião de R. H. Charles, esse teria sido o passo fundamental para o nascimento das literaturas apócrifas e apocalípticas entre os judeus.

       Não existem indícios de que algum autor do Novo Testamento tenha se inspirado em Os Oráculos Sibilinos, todavia, há quem diga que a escatologia de Pedro contenha elementos compatíveis apenas com os livros das sibilas e Clemente chegou a afirmar que Paulo fez uso destes versos proféticos nas suas cartas. Nem uma coisa nem outra pode ser confirmada, mas Clemente, querendo dar força aos argumentos em favor da autoridade das sibilas, e assim poder justificar o seu corrente uso entre os cristãos, apelou para a autoridade do Apóstolo dos Gentios.

       De uma coisa, porém, podemos estar certos: os cristãos primitivos criam piamente na divina inspiração das sibilas e podiam recitar os seus versos com a mesma ênfase e reverência cabíveis apenas à palavra dos profetas de Israel. Justino Mártir chega a lamentar que as autoridades romanas tenham sob pena de morte proibido a leitura dos Oráculos Sibilinos, das Profecias de Histaspes e das Escrituras Hebraicas, e faz questão de esclarecer que apesar disso os cristãos continuavam a fazer uma coisa e outra.

       Quanto a Orígenes, foi questionado por Celso pelo fato de os cristãos fazerem uso freqüentes dos escritos da sibilas e ele mesmo insinuou que tais cristãos haviam adulterado os escritos originais para conformá-los à sua fé. Orígenes sai em defesa dos irmãos e afirma existirem provas de que os livros das sibilas permaneciam tão inviolados quanto sempre, dando assim testemunho de que todas as suas profecias haviam sido inspiradas pelo Verdadeiro Deus. Outros vultos sagrados da igreja antiga que advogaram a autoridade das sibilas são: Atenágoras, Teófilo, Tertuliano, Lactâncio e Ambrósio.

       Não faço parte dessa escola, pois está muito claro que alguns versos das sibilas são espúrios, mas nem por isso posso deixar de reconhecer a importância do estudo desses escritos para a compreensão do pensamento escatológico dos primeiros cristãos. Também não estranharei se puder ficar comprovado que algumas daquelas profecias cujos elementos se relacionam diretamente com a nossa fé tenham nascido no coração de qualquer pitonisa. 

 Estejam então atentos, porque a qualquer momento estarei publicando a primeira parte da Sibila Cristã. Até breve. 
 

O Sinal do Filho do Homem




Texto Bíblico Básico:
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. (Mateus 24. 30)

Prosseguindo com o nosso estudo sobre a segunda vinda de Cristo, iremos fixar a atenção em um ponto que tem causado estranheza e que desde os primitivos anos do cristianismo vem sendo abordado de modo meramente especulativo, ou quando muito, tratado sem a devida segurança, mas com algumas reticências.
Foi o Senhor quem disse que a sua segunda vinda há de ser precedida por um sinal no céu. A palavra grega ali empregada é “semeion”, que numa acepção corriqueira traz o sentido de “símbolo”, uma marca distintiva, um brasão etc. Perdoem-me se estou sendo repetitivo, mas a idéia aqui transmitida é a de um selo pessoal, uma forma de associar determinada imagem a alguém em particular e desta maneira torná-lo identificável.
Grandes autores do cristianismo primitivo partiram dessa acepção etimológica e concluíram que nenhum outro símbolo há que possa mais rapidamente direcionar-nos a Cristo senão a cruz. Uma asserção bastante razoável, mas que deve ser tratada com restrições, porque nos parece que a força dessa interpretação consistiu mais na suposta visão do imperador Constantino do que na exegese do Evangelho ou na idéia que a própria palavra “sinal” possa exprimir.
Assim, o livro de Clemente diz: “Então haverá sinais no céu: um arco-íris será visto, uma trombeta e um relâmpago”.
A História Judaica de Daniel: “E aparecerá o estandarte do Messias”.
Os Oráculos Sibilinos, referindo-se à segunda vinda de Cristo: “Desde então Deus realizará um grande sinal, porque como refulgente coroa uma estrela brilhará no céu ...
Lactâncio escreveu: “De repente uma espada descerá do céu, para que os justos possam saber que o líder dos santos exércitos está por aparecer”.
Outras manifestações foram descritas em importantes obras do cristianismo antigo, tal como a visão de uma carruagem de fogo, porém, o símbolo que mais força exprimia era a aparição de uma grande cruz, como se a imagem do madeiro fosse suficiente para dar aos moradores da Terra a mais concisa certeza acerca Daquele que está para descer. O Apocalipse de Elias, todavia, inclui outros elementos nessa aparição, quando diz:
“Porque quando vier o Cristo, há de aparecer como uma pomba, e rodeado por uma coroa de pombas, descendo sobre as nuvens do céu precedido pelo maravilhoso sinal da cruz. O mundo inteiro O verá, pois surgirá como o sol, de modo que será visto desde o Oriente até ao Ocidente. Eis que virá e todos os seus anjos com Ele”.
Eu, porém, lanço um demorado olhar sobre a Bíblia e concentro toda a minha atenção no único motivo que levou o Senhor Jesus a incluir “o sinal do Filho do Homem” no seu Sermão Profético. E antes de dar a real interpretação quero explicar que a palavra “semeion” não raro ocorre no Novo Testamento com outros sentidos. Em Apocalipse 12. 1, por exemplo, ela serve para descrever todo um conjunto de símbolos que compõem a visão do profeta. Mas o verdadeiro foco da nossa investigação é outro e devemos buscá-lo no imediato contexto das palavras do Senhor.
A mesma palavra “semeion” ocorre exatamente na abertura do Sermão Profético de Jesus e foi ela a real causa do maravilho discurso de Nosso Senhor. Vamos relembrar? Então leiam comigo o texto de Mateus 24. 3:
“E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a Ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas, e que sinal (semeion) haverá da tua vinda e do fim do mundo”.
Como me admira que mais uma vez a escatologia judaica tenha largado na frente! É impressionante como os alucinados autores do apocalipsismo intertestamentário conseguiram perscrutar as profundezas do Conselho de Deus. Porque as questões suscitadas pelos discípulos não estavam edificadas sobre o vácuo. Já naquele tempo (ou mesmo antes dele) existia uma bem-estruturada doutrina acerca dos sinais que antecederiam a vinda sobrenatural do Messias, e a maneira consciente pela qual a questão foi apresentada deve provar que aqueles rudes pescadores da Galiléia não eram tão ignorantes quanto se supunha.
Notem que eles não perguntam necessariamente pelos “sinais”, mas pelo único e específico “sinal” da vinda do Senhor, e com sapiência sabem associar esse sinal com o fim do mundo, que outra coisa não é senão uma alusão geral ao fim do governo humano e a conseqüente implantação do Reino de Deus. Então quando o Senhor faz menção do “sinal do Filho do Homem” Ele está apenas respondendo à inicial preocupação dos discípulos.
Em linhas gerais podemos dizer que os sinais da segunda vinda de Cristo, tal como anunciados pelo mesmo Senhor, não acrescentaram nada ao conhecimento escatológico dos apóstolos, pois todos aqueles indícios proféticos lhes haviam sido transmitidos através dos sermões na sinagoga e eram bastante populares graças à abundante literatura apocalíptica da época. Mas acontecia de existirem diferentes ordens na cadeia dos acontecimentos, de modo que pairava sempre a dúvida sobre qual o sinal que definitivamente precederia a parousia do Salvador.
Eles queriam saber “que sinal haverá da vinda do Messias e do fim do mundo”. Esse detalhe é de particular importância, conquanto represente uma crença corrente naqueles dias segundo a qual se imaginava que o advento do Messias também seria o início do Juízo Final. Portanto, “o sinal do Filho do Homem” tem a ver com “  Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo”.
Enfim, que vem a ser esse sinal? São duas as respostas à questão e ambas estão interligadas. Em primeiro lugar, devemos ter em mente que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento falam de um curto período de tempo durante o qual vários sinais ocorrerão simultaneamente. O Senhor Jesus sintetizou as visões dos profetas em um só versículo: Mateus 24. 29:
“E logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e alua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências do céu serão abaladas”.
Em segundo lugar, imediatamente a estes acontecimentos de ordem natural (?) aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Esse sinal, lamento desapontar os meus colegas, não será nenhum símbolo pessoal de Cristo, mas uma visão universal da majestade de Jesus, anunciada pelo estarrecedor toque da shofar de Deus, a qual há de ser ouvida em toda a Terra. Estejamos atentos à pista que o Nosso Senhor nos deu ao declarar:
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem”.
Mas dois versículos antes Ele havia dito:
“Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem”. (Mateus 24. 27.).
E outra vez:
“Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do Homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26. 64).
Apocalipse 1. 7 também diz:
“Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até mesmo os que o traspassaram; e todas as tribos da Terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém”.
Já expliquei que a palavra grega “semeion” traduzida em nossas Bíblias como “sinal”, também ocorre em Apocalipse 12. 1 com o sentido de “uma visão no céu”. O sinal do Filho do Homem é então uma parousia, ou manifestação universal, e isso não tem nada a ver com transmissões via satélite, pois a Escritura atesta que a sua aparição há de ser testemunhada até no Inferno!
Mas caso o leitor ainda não esteja convencido desta nossa exposição, eis o que o Apocalipse de João tem a nos dizer:
“E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como um saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue. E s estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes e ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Cai sobre nós,e escondei-nos do rosto Daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro.”
Esse quadro é a explicação dada pela própria Bíblia para a profecia de anunciada por Cristo em Mateus 24. 29, 30. Mas o texto de Mateus 26. 64 resume todo a complexidade da visão em poucas e esclarecedoras palavras. E como em todas as passagens correspondentes, fica claro que o sinal do Filho do Homem há de ser uma visão mundial da pessoa de Jesus Cristo assentado à direita de Deus. Apesar de tudo, a cena apavorante será “apenas” uma visão daquilo que estará acontecendo em Jerusalém quando o Messias vier na sua glória. É por isso que é chamada de o sinal do Filho do Homem.

  


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Apocalipse de Elias




CAPÍTULO 1 


  1 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
  
 2 Filho do homem, diz a esse povo: Porque acumulais pecado sobre pecado e provocais a ira do Senhor Deus, que é o vosso Criador? Não ameis ao mundo nem às coisas que nele há, porque o amor do mundo e sua corrupção procedem do diabo.
 3 Lembrai-vos de que o Senhor da Glória e Criador de todas as coisas teve misericórdia de vós, para que não pereçais com essa era.
 4 Por muitas vezes tem o diabo desejado que o sol deixe de brilhar sobre a terra, a fim de que não produza mais os seus frutos. Porque ele quer destruir aos homens tal como o fogo que devora a palha; e como a água do abismo pretende tragá-los.
5 Mas isso é porque o Deus da Glória se apiedou de vós, enviando o seu Filho ao mundo para salvar-vos da condenação.
6   Não recomendou estas coisas a nenhum anjo, arcanjo ou potestade, antes se tornou homem e veio para nos salvar.
7   Porquanto somos seus filho, e Ele é o nosso Pai.
Lembrai-vos de que Ele vos tem preparado coroas e tronos que vos aguardam nos céus. “O Senhor diz: Porque àquele que vencer será dado uma coroa e um trono.
Além do mais, escreverei o meu nome na sua testa, e marcarei a sua destra,e nunca mais sentirá sede ou terá fome;
10 E os filhos da desobediência jamais terão poder sobre ele; os Tronos não lhes baterão as portas, antes com os anjos se alegrarão e rumarão à minha cidade.
11 Mas os pecadores serão envergonhados; os Tronos lhes fecharão o caminho, a fim de que sejam atormentados pelos anjos da morte.
12 Pois no céu não são conhecidos pelos anjos de Deus, a na morada do Altíssimo são estranhos.
13 Por isso, escutem, sábios da terra, e estejam atentos contra os impostores, pois abundarão entre vós no fim dos tempos. Ensinarão coisas que não procedem de Deus, e, abandonando a Lei de Deus, farão do ventre o seu deus, e dirão: “É inútil jejuar; Deus não quer que jejuemos.”
14 Fizeram-se estranhos à aliança divina, e ainda assim julgam-se participantes das gloriosas promessas. Tais homens não se firmam na verdade, portanto, não vos deixeis por eles enganar.
15 Lembrai-vos de que Deus, ao criar os céus, estabeleceu um jejum, a fim de que nós, pela tendência que temos para as coisas más desta vida, não nos deixemos por elas iludir, e é por meio desse jejum que combatemos a chama das paixões pecaminosas.
16 Mas assim nos tem dito o Senhor: “Eis que tenho ordenado um jejum que me agrada.
17 O homem que jejua continuamente jamais incorrerá no pecado da inveja ou na contenda.
18 Portanto, deixai que jejue aquele que é puro. Mas se alguém jejua, não tendo um coração puro, provoca a Deus e aos anjos.
19  Assim fará ele mal à sua alma, acumulando a ira até o dia do juízo.
20 Eu determinei um jejum que é puro ao que são puros de coração e limpos de mãos
21 Os que assim procedem, perdoam pecados, curam enfermidades e expelem os demônios.
22 Sua oração é aceita diante do trono de Deus, como sacrifício de cheiro suave pelos pecados dos transgressores.
23 Por acaso há entre vós algum trabalhador que se dirija ao campo sem levar consigo as suas ferramentas? Ou poderá alguém se alistar para a guerra sem que tome para si uma couraça?
24 Correrá o risco de ser ferido pelo inimigo e ir à morte por haver negligenciado as recomendações do rei?
25 Assim também inútil vos será entrar no lugar santo com um coração oscilante.
26 Se alguém se dirige a Deus em oração e não tem um coração sincero é certo que ainda esteja em trevas e permaneça desconhecido diante dos anjos.
27 Mas se o vosso coração permanece em Deus, então aqueles que são seus vos reconhecem.




CAPÍTULO 2

1  Porque assim diz o Senhor: “Eis que os reis da Assíria, a destruição dos céus e da terra e do que está debaixo da terra, não prevalecerão sobre aqueles que são meus; eles não terão assombro no dia da guerra”.
2  Quando virdes que do Norte surgiu um rei, o qual será chamado rei da Assíria e da injustiça, então virá a guerra sobre o Egito e ali se instalará a tribulação.
3 Haverá lamento sobre a terra, porquanto os vosso filhos vos serão arrebatados.
4  Naquele dia os homens desejarão a morte, mas ela fugirá deles.
5  Então um rei surgirá no Ocidente, e o chamarão de o rei da paz.
6  Ele marchará sobre o mar, rugindo como um leão.
7  Abaterá ao rei da Assíria, e contra o Egito se levantará com guerra, e muito sangue há de ser derramado.
8  Naqueles dias será assinado um enganoso acordo de paz no Egito.
9  Muitos dos santos acreditarão nessa paz, porquanto lhes será dito: “Deus é o Senhor de todos!”
10  Com lisonjas serão exaltados os santos, e Jerusalém há de ser elevada; presentes valiosos lhe serão dados e até o seu templo se beneficiará.
11  Esse rei procederá com astúcia desde o Egito, mas de imediato ninguém o perceberá.
12  Contará todas as religiões que há no mundo e classificará os deuses aos quais elas servem, somará as suas riquezas e depois elegerá a cada um de seus líderes.
13  Ordenará que os cientistas e todos os maiorais da terra sejam levados à capital do mundo, dizendo-lhes: “Agora haverá apenas uma língua!”
14  Então se dirá em todo o mundo: “Paz e contentamento!
15  E eis que aqui vos digo os sinais pelos quais será ele identificado:
16 Ele tem dois filhos que estão à sua direita e à sua esquerda. Aquele que está à sua direita tem a aparência de um demônio e se levantará contra o nome do Senhor.
17 Desse rei surgirão quatro reinos, e aos trinta anos de idade ele subirá ao Egito para construir um santuário.
18 Seu próprio filho se levantará contra ele e o matará; então toda a terra ficará agitada.
19 Naquele dia ele promulgará um decreto em todo mundo, dizen-do: “Agora, devolver-me-eis em dobro todos os presentes e benefícios que o meu pai vos deu!”
20 Fechar-se-ão as portas dos santuários das religiões, suas casas serão confiscadas e seus filhos irão para a prisão.
21 Determinará que se ofereçam sacrifícios abomináveis e provocará calamidade na terra.
22 Surgirá debaixo do sol e da lua, e os líderes religiosos do mundo rasgarão as suas roupas.
23 Ai de vós, cabeças do Egito que existirdes naqueles dias! O vosso tempo já é consumado. A violência feita aos pobres será recobrada de vós, porquanto vossos filhos serão levados como reféns.
24 Naquele dia o Egito se lamentará, porquanto nas suas ruas não mais se ouvirá a voz daquele que compra ou daquele que vende.
25 Os mercadores do Egito se cobrirão de vergonha, ao mesmo tempo em que chorarão os seus habitantes; suplicarão pela morte, mas a morte não lhes virá.
26 Subirão às rochas e se atirarão, dizendo: “Caiam sobre nós!” Mas nem assim morrerão.
27 Naquele, dia duas tribulações sobrevirão ao mundo: Porque o rei ordenará que as mulheres paridas sejam atadas e arrastadas à sua presença, a fim de que dêem a mamar às serpentes, para que o sangue seja espremido de seus peitos para servirem de veneno às suas flechas.
 28 Não haverá muitos soldados para a guerra, por isso se ordenará que meninos de doze anos sejam alistados, a fim de que aprendam a usar o arco e a flecha.
29 Nesse tempo se lamentarão as parteiras da terra, e a mulher que tem filhos elevará os olhos ao céu, dizendo: “Por que me sentei na cadeira de parir e trouxe filhos ao mundo?”
30 Mas as estéreis e as virgens se alegrarão, dizendo “Agora compreendemos que é hora de nos alegramos por não havermos posto filhos no mundo; nossos filhos estão no céu.”
31 Naquele tempo se levantarão três reis na Pérsia, eles tomarão aos judeus que estão no Egito e os transportarão para Jerusalém e ali permanecerão.
32 Mas se ouvirdes que há segurança em Jerusalém, então ó sacerdotes, rasgai as vossas roupas, pois terá chegado o tempo em que o Filho da perdição há de se manifestar.
33 Esse homem ímpio se revelará no lugar santo. Fugirão os reis da Pérsia e da Assíria; haverá uma guerra de quatro reinos contra três.
34 Três anos permanecerão ali, até que possam botar as mãos nos tesouros do templo.
35 Naquele, dia o sangue correrá desde Kôs até Mênfis. O Nilo se converterá em sangue, e por três dias ninguém poderá beber das suas águas.
36 Ai daqueles que habitam no Egito!
37 Naquele tempo, um rei aparecerá naquela que é chamada de “Cidade do Sol”. A terra se lamentará ao ver que ele se dirige para Mênfis.
38 No sexto ano dos reis da Pérsia, ele armará uma cilada em Mênfis; aos reis da Assíria matará. Os persas, porém, se vingarão na terra.
39 Ordenará que todos os gentios e ateus sejam executados, e que sejam saqueados os templos e que matem aos sacerdotes; mas ao templo de Jerusalém beneficiará.
40 Dois presentes dará à casa do Senhor, e dirá: ”Deus é um só!”
41 O mundo inteiro adorará aos persas. Por esse motivo, aqueles que tiverem escapado da destruição, hão de dizer: “Verdadeiramente esse é o rei da justiça, o qual Deus nos enviou, a fim de que a terra não seja convertida em um deserto.”
42 Durante três anos e meio nada exigirá dos homens e a terra se encherá de todas as riquezas.
43 Então os que estiverem vivos irão aos cemitérios e dirão aos seus mortos: “Erguei-vos, e vinde participar desta paz!”


CAPÍTULO 3

1 Mas ao quarto ano desse rei, aparecerá o Filho da Impiedade, e dirá:”Eu Sou o Cristo!” Mas estará mentindo; portanto, não o creiais.
2 Porque quando vier o Cristo, há de aparecer como uma pomba, e rodeado por uma coroa de pombas, e descerá sobre as nuvens do céu precedido pelo maravilhoso sinal da cruz.
3 O mundo inteiro o contemplará, pois surgirá como o sol, pelo que será visto desde o Oriente até ao Ocidente. Eis que virá, e todos os seus anjos com Ele.
4 Nesse tempo estará o Iníquo instalado no lugar santo. Ele dirá ao sol: “Põe-te! E o sol se porá. Se disser ao sol: “Resplandece!”Eis que ele resplandecerá. E se disser: “Apaga-te!”Eis que ele se apagará.
5 E se à lua disser: “Em sangue te converterás!” Ela imediatamente o fará.
6 Eis que poderá elevar-se até os astros, e sobre as águas caminhar como se fora em terra seca.
7 Por meio de seus milagres os paralíticos andarão, os surdos ouvirão, os mudos falarão e os cegos poderão enxergar.
8 Purificará aos leprosos e as enfermidades curará, e até aos demônios ele expulsará.
9 Eis que fará muitos milagres e prodígios na presença dos homens; poderá imitar o Messias em tudo, a não ser pelo fato de não possuir o poder de ressuscitar os mortos.
10 Nisto sabereis que ele é o Filho da Impiedade, pois que não tem o poder de conceder a vida.
11 Eis que agora vos direi quais são os sinais que o identificam, para que possais reconhecê-lo:
12 Ele é um homem pálido com as pernas finas, é alto e tem uma grande mecha cinzenta na parte frontal da cabeça; suas sobrancelhas chegam às orelhas, e no dorso de sua mão há uma mancha de lepra.
13 Tem o poder de se transfigurar diante dos homens; ora poderá ser um velho, ora poderá parecer um menino. Todas as suas características poderão ser alteradas, menos a mecha cinzenta e as sobrancelhas.
14  Nisto sabereis que ele é o Filho da Perdição.


CAPÍTULO 4

1 Uma jovem de nome Tabita ficará sabendo que um homem imoral terá se apresentado no templo. Então ela se vestirá com uma roupa de linho e o perseguirá na Judéia.
2 Ela o encontrará no caminho de Jerusalém e o acusará, dizendo: “Homem despudorado e Filho da Perdição. Tu és o inimigo de todos os santos!”
3 Então ele se voltará contra a virgem e a perseguirá até ao Ocidente, e numa tarde a matará e beberá o seu sangue, derramando-o no templo para que sirva de remédio às pessoas.
4 Mas ao amanhecer, ela ressuscitará e outra vez o condenará, dizendo: “Ah, homem imoral! Tu não tens nenhum poder sobre o meu corpo ou sobre a minha alma, pois sirvo ao meu Senhor.”
5  Ademais, ela seguirá dizendo: “Tu derramaste meu sangue no templo e ele se fez cura para os homens.”
6  Mas Elias e Enoque saberão que o Imoral terá aparecido no templo, pelo que descerão para combatê-lo, e dirão:
7 “Não te envergonhas de te fazeres passar por santo, tu que és um profano? Tu és inimigo tanto dos que habitam no céu como dos que vivem na terra.
8 Sempre foste inimigo dos tronos e de todos os anjos; tu és profano. Foste uma estrela da alva, mas caíste; tua morada abandonaste e a tua ordem deixaste pare te tornares em trevas.
9 És um diabo, e nem assim te envergonhas de entrar na casa de Deus!”
10 O homem impudico ouvirá estas coisas e ficará muito furioso. Ele entrará em combate com os profetas no centro comercial da grande cidade. Durante três horas combaterão, e os profetas serão derrotados e cairão mortos.
11 Seus corpos estarão expostos como troféus no centro comercial da grande cidade durante três dias e meio para que todos os homens os vejam.
12 Mas ao quarto dia eles ressuscitarão, e se levantarão contra o Iníquo, dizendo: “Homem imoral e Filho da Perdição! Não te envergonhas de fazeres desviar o povo escolhido? Não entendeste ainda que a nossa vida está no Senhor, e que podemos resistir-te a cada vez que disseres: “Eu dominarei sobre todos?”
13 Assim, toda a cidade se ajuntará ao redor das duas testemunhas. Nesse dia eles subirão ao céu, brilhando como estrelas aos olhos de todos, e todos os povos os verão.
14 O Homem do pecado não terá poder contra eles. Então se voltará furioso contra as nações e contra o povo cometerá grande pecado.
15 Então os líderes religiosos do mundo serão perseguidos, e juntamente com seus fiéis hão de ser conduzidos à sua presença. Ele os matará e ordenará que lhes arranquem os olhos com farpas de ferro.
16 Depois disso ele lhes arrancará o couro cabeludo, bem como todas as unhas; uma por uma as arrancará, e ainda determinará a que lhes seja derramado vinagre e barrela em suas narinas.
17 Aqueles que não quiserem suportar as torturas desse rei terão de ajuntar as suas riquezas e fugir pelos vaus dos rios até ao deserto. Mas se acontecer de morrerem, estarão como os que dormem. Porém, o Senhor é quem receberá as suas almas.
18 Suas carnes se tornarão tão duras quanto as rochas, de modo que nem as aves ou as feras da terra as poderão comer até que venha o grande dia do juízo.
19 Então eles se levantarão e terão o seu lugar de descanso; mas uma coisa deve ser dita: a estes não será concedido que reinem com o Cordeiro, pois apenas aqueles que derem a vida pela Sua causa é que poderão tomar assento à sua destra, como Ele mesmo o disse:
20 “Eles venceram ao Filho da Iniqüidade, e por isso receberão tronos e coroas”.
21 Naquele dia hão de ser escolhidos sessenta homens perfeitos, aptos para usar a armadura de Deus. Eles seguirão para Jerusalém a combater ao Iníquo, dizendo: “Eis que tens realizados todos os milagres que os profetas operaram, mas não podes ressuscitar aos mortos, já que não tens poder para dar a vida. Nisto sabemos que és o Filho do Diabo.”
22 O Imoral ouvirá isso e ficará furioso. Ele ordenará que se apanhem a estes homens justos e os amarrem para que sejam queimados sobre o altar.



CAPÍTULO 5

1  Quando isso acontecer, muitos ficarão surpresos e reconhecerão seus erros, então exclamarão: “Ele não é o nosso Messias! Eis que o Ungido de Deus jamais assassinaria aos justos, nem perseguiria aos homens piedosos, antes tentaria convertê-los por meio de seus milagres”.
2  Mas o Messias terá misericórdia deles e do céu enviará quatro mil e seiscentos anjos, sendo que cada um deles terá seis asas. A voz de seus cânticos faz estremecer a terra quando bendizem ao nome do Senhor.
3 Todos aqueles que tiverem o nome do Ungido escrito em suas testas, e a marca do penhor em suas destras, sejam eles grandes ou pequenos, hão de ser amparados sob suas asas durante aqueles dias de ira.
4 Gabriel e Uriel formarão uma coluna de luz para conduzi-los pela cidade de Deus. Eles lhes darão a comer do fruto da árvore da vida e lhes dará vestes brancas; sim, os anjos os protegerão. Nunca mais terão sede ou fome, e o Filho da Perdição não terá poder sobre eles.
5 Nesse tempo serão sacudidos os fundamentos da terra, pois o espírito da paz se ausentará do mundo.
6 As árvores serão arrancadas pelas raízes, todos os animais selvagens e todo o gado serão mortos mediante a destruição que há de vir, e até as aves do céu cairão mortas.
7 Haverá grande seca na terra e até o mar ficará minguado.
8 Os moradores da terra se lamentarão e recorrerão ao Iníquo, di-zendo-lhe: “Por que fizeste-nos esse mal em nos dizer que eras o Messias de Deus, quando na realidade és um demônio?”
9Como poderá salvar-nos, se não podes salvar a ti mesmo? Eis que operastes grandes milagres aos nossos olhos e nos fizeste desviar de Deus, e agora, quão desgraçados nos tornamos!”
10 “Desde agora morreremos de fome. Onde haverá algum sinal de qualquer homem justo para que o busquemos? Ou então, onde encontraremos um ensinador que nos possa orientar?”
11 “Fomos desobedientes a Deus e já não podemos escapar da sua ira.”
12 “Temos perfurado no mar e não encontras água; onde antes havia rios cavamos três metros, mas nem assim obtivemos êxito”.
13 Então o Iníquo exclamará, e chorando, dirá: “Ai de mim, pois o meu tempo se esgotou! Logo eu que na minha arrogância havia dito que reinaria para sempre!”
14 “Eis que os meus anos se passaram como meses, e os meus dias se foram como o pó que o vento espalha. Vêde que como vós, eu também pereço!”
15 “Persegui-os até o deserto; lançai mão desses desordeiros e matai-os. Se matardes aos santos, a terra voltará a dar os seus frutos; foi por causa deles que o sol deixou de brilhar e sobre a terra já não cai o orvalho.”
16 Os moradores da terra então lhe dirão: “Por tua causa nos tornamos inimigos de Deus, agora, se tens algum poder, sobe tu mesmo e persegue-os”.
17 Ele então usará asas de fogo e voará em perseguição aos santos e outra vez entrará em luta com eles.
18 Mas os anjos pelejarão pelos santos, e haverá uma grande bata-lha de espadas. A ira se acenderá desde os céus, e um fogo se arderá na terra. Todos os pecadores e até mesmo os diabos serão consumidos como palha.
19 O juízo de Deus é justo.
20 Nesse tempo os montes e a terra darão a sua voz; os caminhos perguntarão entre si: “Acaso ouviste algum som de passos humanos que não sejam de alguém que não seguia para o juízo do Filho de Deus?”
21 Os pecados de cada um hão de ser manifestos nos mesmos lugares em que foram praticados, quer seja às claras, quer seja às escuras.
22 Todos os homens santos e retos contemplarão a condenação dos pecadores, principalmente daqueles que os afligiram.
23 Estes pecadores também verão a recompensa daqueles que servem a Deus, pois de tudo quanto pedirem ser-lhe-á dado multiplicadamente pelo Senhor.
24 Os céus e a terra serão julgados pelo Senhor. Ele julgará aos pastores e requererá o seu rebanho.
25 Elias e Enoque outra vez aparecerão; agora eles abandonam seus corpos corruptíveis e assumem a forma glorificada.
26 Eles combaterão o Homem do pecado e o destruirão antes que abra a boca, pois como o ferro que é brando ao fogo, ele também se derreterá na presença de seus corpos agora gloriosos. Ele morrerá se contorcendo qual serpente que já não pode respirar.
27 Os dois profetas lhe dirão: “Agora hás de perecer, tu e os reis da terra que te deram apoio, pois terminados são os teus dias!”
28 Estes serão lançados no poço do abismo e de lá não sairão, pois estará lacrado com o selo de Deus.
29 Então aparecerá no céu o Messias, e todos os seus santos virão com Ele. Lançará fogo a terra e ela arderá durante mil anos, pois a presença dos pecadores a contaminou e precisa ser purificada.
30 Mas o Senhor fará um novo céu e uma nova terra, onde não há-verá demônios nem morte.

31 Os santos reinarão com o Senhor; poderão subir e desce na companhia dos anjos. Esse reino durará mil anos.